Pular para o conteúdo
quarta-feira, 4 de novembro de 2026 · Sergipe, Brasil
Quem somos · Transparência
OBSERVATÓRIOSERGIPE
Observatório Rádio Web RÁDIO ONLINE
Carregando informações da rádio… ProgramaçãoObservatório Sergipe
Leitura e rádio gratuitos. Seu apoio faz diferença. ☕ Pague um café ↗
← Todas as notícias
Justiça

Intervenção no Ueno Bank provoca crise política e pressão sobre Banco Central do Paraguai

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, pediu na terça-feira (3) a renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central, horas depois de a autoridade monetária intervir no Ueno Bank por causa de uma crise de solvência. A medida restringiu o acesso de correntistas às contas e abriu uma crise política que também envolve o governo, o Congresso e o Ministério Público.

Intervenção no Ueno Bank provoca crise política e pressão sobre Banco Central do Paraguai
Crédito da imagemArte editorial contextual: Observatório Sergipe
Leitura

Carvallo havia informado mais cedo que deixaria o cargo, mas pretendia permanecer à frente do processo de intervenção até sua conclusão. A ligação do presidente do Banco Central com a instituição aumentou as críticas ao governo Peña: antes de comandar a autoridade monetária, ele liderou uma instituição que deu origem ao Ueno Bank. Os críticos questionam se o banco recebeu tratamento favorável e se a fiscalização ocorreu no momento adequado.

Peña pediu aos parlamentares a aprovação de um projeto emergencial que permitiria o uso de recursos públicos para pagar imediatamente os clientes impedidos de movimentar o dinheiro. Filas foram registradas em frente às agências na manhã da intervenção. Em uma publicação na rede social X, o presidente afirmou que se tratava de um caso isolado, sem representar o sistema financeiro nacional, e disse que os responsáveis teriam de responder à Justiça.

O Banco Central informou que agiu para proteger os depósitos e limitar os efeitos da crise sobre o sistema financeiro. Segundo os reguladores, o índice de solvência do Ueno caiu abaixo do mínimo exigido de 50% após ajustes nos balanços. A autoridade monetária afirmou ainda que depósitos de até 228 milhões de guaranis por pessoa seriam garantidos, embora o acesso imediato aos recursos dependesse das medidas adotadas durante a intervenção.

A dimensão da instituição ajuda a explicar a repercussão do caso. Os depósitos do governo no Ueno chegaram a cerca de 5 trilhões de guaranis, equivalentes a US$ 869 milhões, ou 29% dos depósitos do banco no fim de junho. A instituição também era a maior fornecedora de cartões de crédito do Paraguai, com quase 1,1 milhão de cartões emitidos até setembro. No fim do ano passado, o banco dizia ter 2,6 milhões de clientes, cerca de um em cada três paraguaios.

Os sinais de deterioração já vinham afetando a percepção dos investidores. Os títulos soberanos paraguaios recuaram ligeiramente após a intervenção, enquanto os papéis em dólar do Ueno com vencimento em 2031 chegaram a oferecer rendimento superior a 10% no início do mês. A Fitch Ratings havia revisado para negativa a perspectiva dos títulos do banco em outubro, citando o rápido crescimento do balanço e o volume elevado de ativos intangíveis.

Apesar da crise, reguladores e representantes do setor bancário afirmaram não identificar, até aquele momento, sinais de contágio para outras instituições. O Banco Central classificou o episódio como restrito ao Ueno, enquanto José Britez, vice-presidente da associação de bancos do Paraguai, disse que os associados não observavam saída de depósitos em outros bancos. O ex-ministro das Finanças Manuel Ferreira avaliou que os efeitos econômicos poderiam ser contidos se houvesse liquidez suficiente e continuidade dos fluxos de pagamento.

Fontes da reportagem

Você chegou até aqui. Obrigado pela leitura!

Gostou do nosso trabalho? Pague um café pra gente. ☕

O Observatório Sergipe convida você a apoiar a Rádio Observatório Web e o Projeto Órion, nossa experiência gratuita de rádio na internet. O valor é voluntário e ajuda a custear a operação técnica.

♥ Me pague um café
Newsletter

A notícia de maior repercussão no seu e-mail

Receba uma vez por dia a matéria que mais repercutiu no Observatório Sergipe. A assinatura só é ativada depois da confirmação do seu e-mail e você pode cancelar quando quiser.

Ao assinar, você concorda em receber o resumo editorial diário do Observatório Sergipe. Seus dados não são vendidos.