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Política Nacional

Vitória democrata no Congresso dos EUA provoca reações divergentes no exterior

Líderes europeus viram o resultado como um revés para Donald Trump e uma possível abertura para mudanças em temas ambientais e diplomáticos. Governos alinhados ao presidente americano demonstraram cautela ou criticaram a influência democrata sobre a política externa de Washington.

O Capitólio dos EUA, com sua cúpula e colunas clássicas, sob céu azul claro. Um homem de casaco escuro e calça cinza caminha em frente a barreiras de metal e cones de trânsito laranja, que cercam a base do edifício.
Crédito da imagemCongresso americano em Washington, DC, nos Estados Unidos (JEMAL COUNTESS/AFP)
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A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos provocou reações distintas entre líderes internacionais. Autoridades europeias celebraram o resultado e avaliaram que a nova composição do Congresso pode alterar o debate sobre meio ambiente, comércio, conflitos internacionais e ajuda ao desenvolvimento. Já representantes de governos próximos a Donald Trump adotaram tom mais cauteloso ou crítico.

Com a conquista da maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, os democratas ampliaram sua capacidade de fiscalizar o governo, questionar decisões da Casa Branca e criar obstáculos para a agenda presidencial. O resultado foi interpretado como um revés político para Trump na etapa final de seu mandato, ao reduzir sua margem de atuação no Congresso.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que o resultado representava uma rejeição dos eleitores americanos às políticas do presidente. Em uma publicação na rede social X, ele associou a votação a uma resposta contra medidas que classificou como responsáveis pelo empobrecimento da população, além de preconceito, sexismo e negação das mudanças climáticas. Sánchez também relacionou o cenário americano a movimentos políticos em outros países e disse que resultados semelhantes ocorreriam em breve na Espanha.

Na Noruega, o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre avaliou que a vitória democrata pode abrir espaço para vozes mais próximas das posições de seu governo. Segundo ele, o novo cenário em Washington tende a favorecer o diálogo em temas ambientais, de política externa e de ajuda ao desenvolvimento. A avaliação foi de que parlamentares democratas podem apresentar maior convergência com os governos europeus nessas áreas do que a administração Trump.

No Parlamento Europeu, Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional, classificou a vitória democrata como um forte golpe político para Trump e uma vitória para a democracia. O parlamentar, porém, ponderou que o enfraquecimento do presidente não necessariamente tornaria suas decisões mais previsíveis. Para Lange, Trump poderia reagir à perda de força no Congresso com uma postura mais agressiva. Ele também afirmou que a maior influência democrata pode facilitar o diálogo entre Estados Unidos e União Europeia, sem eliminar as divergências comerciais entre os dois lados.

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, também apontou possíveis efeitos internacionais da mudança. Para ele, a nova configuração política em Washington poderia marcar o início de uma fase diferente nas relações entre os países. A declaração, no entanto, não detalhou quais áreas seriam afetadas nem indicou medidas concretas decorrentes do resultado eleitoral.

No Irã, a vitória democrata foi apresentada por autoridades como uma rejeição à guerra iniciada por Trump contra o país. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os eleitores americanos haviam dito “não à guerra” e que Teerã endossava essa mensagem. Ele também advertiu Washington contra ignorar a vontade popular e retomar os ataques. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, adotou uma leitura diferente sobre os efeitos do resultado e disse que seria um erro esperar uma mudança profunda na política americana em relação ao Irã apenas por causa da nova composição do Congresso.

Entre os governos mais próximos de Trump, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, criticou a postura dos democratas em relação a Moscou, mas afirmou que o resultado não alteraria a política externa russa nem sua posição sobre a Ucrânia. Na Itália, Matteo Salvini, líder da Liga e integrante da coalizão governista, disse que a votação deveria ser respeitada e relacionou o desempenho eleitoral às tensões internacionais e ao aumento do custo de vida nos Estados Unidos. Salvini expressou a expectativa de que o resultado acelerasse o fim dos conflitos e o retorno da paz. Com a maioria democrata no Congresso, o impacto sobre as decisões de Washington dependeria da capacidade de fiscalização e de bloqueio dos parlamentares nos dois últimos anos do mandato presidencial.

Fontes da reportagem

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