Democratas avançam no Congresso e impõem revés a Trump nas eleições de meio de mandato
Oposição amplia espaço na Câmara e surpreende em disputas do Senado, enquanto o resultado das eleições americanas reduz a margem de manobra do presidente nos dois últimos anos de seu mandato.

Os democratas obtiveram avanços nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3) nos Estados Unidos e impuseram um revés ao presidente Donald Trump. A oposição conquistou a Câmara dos Representantes, segundo projeção da CNN, e apresentou desempenho acima do esperado em disputas pelo Senado, em uma votação que definirá o equilíbrio de forças em Washington até o fim do segundo mandato do republicano.
A dimensão final da derrota dependeria da conclusão da apuração para o Congresso. Até 0h desta quarta-feira (4), no horário de Brasília, os democratas garantiam 45 cadeiras no Senado, entre elas as da Carolina do Norte e da Carolina do Sul. A vitória na Carolina do Sul foi considerada uma surpresa: o estado não elegia um democrata para o Senado desde 1998 e tinha uma disputa vista como favorável aos republicanos, mas não assegurada, pelo Cook Political Report.
A eleição na Carolina do Sul foi disputada entre a democrata Annie Andrews e a republicana Darline Graham. O resultado indicou que a oposição conseguiu avançar também em áreas tradicionalmente conservadoras, embora os republicanos ainda mantivessem desempenho relevante em parte do país. As pesquisas já apontavam uma tendência de crescimento democrata, mas o resultado foi descrito como mais expressivo do que o esperado até mesmo por integrantes otimistas do partido.
Na Flórida, um dos principais redutos republicanos, a disputa também trouxe sinais de resistência democrata. Kathy Castor foi reeleita pelo 14º distrito, na região de Tampa, apesar de o mapa eleitoral aprovado pelo governador Ron DeSantis ter redesenhado a área para favorecer os republicanos. O distrito passou a ser considerado competitivo depois da mudança, em um território onde Trump teria obtido 54% dos votos em 2024.
Os republicanos, contudo, venceram a disputa pelo Senado na Flórida e conquistaram a maioria da bancada do estado na Câmara dos Representantes. Em algumas corridas, porém, as margens foram apertadas, em contraste com a vitória de Trump por mais de 13 pontos percentuais na Flórida em 2024. Antes da eleição, os republicanos ocupavam 20 das 28 cadeiras do estado na Câmara, e o novo mapa havia ampliado de 20 para 24 o número de distritos vencidos por Trump na eleição presidencial anterior.
As eleições de meio de mandato costumam ser desfavoráveis ao partido que controla a Casa Branca. Embora não estivesse na cédula, Trump transformou a votação em um teste de sua popularidade e pediu aos eleitores que votassem como se seu nome estivesse entre os candidatos. O apelo ocorreu enquanto sua aprovação caía e alguns republicanos buscavam se afastar do presidente durante a campanha.
Depois da confirmação de uma vitória democrata mais clara, Trump afirmou em sua rede social: “Se eu estivesse [nas cédulas de votação], nós teríamos ganhado de lavada!”. A declaração foi uma tentativa de atribuir o resultado à ausência de seu nome nas urnas, depois de o presidente ter mobilizado sua base em torno da disputa legislativa.
Os americanos renovaram as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, controladas pelos republicanos antes da votação. Os democratas precisavam conquistar três cadeiras adicionais para retomar a Câmara e quatro para obter a maioria no Senado. Além do Congresso, foram realizadas eleições para governador em 36 estados. Até o início da madrugada, os democratas haviam vencido 15 dessas disputas, e os republicanos, dez.
Fontes da reportagem
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