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Saúde

Países e territórios do Escudo das Guianas firmam compromisso regional contra a malária

Reunião ministerial em Brasília reuniu Brasil, Colômbia, Guiana, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa para ampliar ações conjuntas de vigilância, diagnóstico e tratamento da doença, especialmente em áreas de fronteira, remotas e de intensa mobilidade populacional.

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Crédito da imagemNão informado na origem
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Representantes de seis países e territórios se reuniram na terça-feira (3), em Brasília, para fortalecer a cooperação regional e avançar na eliminação da malária no Escudo das Guianas. O encontro, organizado pelo Ministério da Saúde, reuniu Brasil, Colômbia, Guiana, Suriname, Venezuela e França, que participou por meio do Departamento Ultramarino da Guiana Francesa.

A Reunião Ministerial de Alto Nível para a Eliminação da Malária teve como objetivos compartilhar experiências e prioridades nacionais, discutir desafios epidemiológicos comuns e reforçar a cooperação entre áreas de fronteira. As delegações também trabalharam na formalização de uma carta de compromisso e na definição de mecanismos conjuntos de coordenação, execução e acompanhamento das medidas previstas para a região.

A articulação considera que a transmissão da doença não se limita às fronteiras nacionais. A mobilidade da população, os ecossistemas compartilhados e as atividades econômicas em locais de difícil acesso podem dificultar a identificação dos casos, o início do tratamento e a continuidade do cuidado. Por isso, os países defendem o intercâmbio de informações e respostas coordenadas entre os serviços de saúde.

A Declaração de Brasília sobre a Eliminação da Malária no Escudo das Guianas estabelece cinco frentes principais: ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, fortalecer a vigilância epidemiológica transfronteiriça, estimular ciência e inovação, monitorar a resistência aos medicamentos e garantir cooperação e sustentabilidade. O documento está alinhado ao Plano de Ação para a Eliminação da Malária nas Américas 2026-2030.

Entre os temas técnicos discutidos estiveram novas estratégias contra o Plasmodium vivax, incluindo a tafenoquina, o tratamento orientado por sorologia e esquemas com primaquina. A declaração também prevê atenção específica ao monitoramento da eficácia dos antimaláricos, especialmente diante da resistência do Plasmodium falciparum.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a eliminação da doença depende de compromisso político, investimento contínuo e cooperação entre os países. Segundo ele, é necessário melhorar a vigilância, compartilhar dados, enfrentar a resistência aos medicamentos, investir em tecnologias e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, com prioridade para populações que enfrentam maiores barreiras de acesso.

A carta destaca povos indígenas, migrantes e pessoas em deslocamento, trabalhadores e comunidades de áreas de mineração de ouro, além de moradores e trabalhadores de regiões florestais, remotas e fronteiriças. Esses grupos, segundo o documento, podem exigir estratégias diferenciadas para garantir diagnóstico, tratamento e acompanhamento adequado.

No Brasil, foram registrados 118.037 casos autóctones de malária em 2025, o menor número em 47 anos, de acordo com os dados apresentados pelo Ministério da Saúde. O total representou queda de 14,8% em relação a 2024. As infecções por Plasmodium falciparum e os casos mistos diminuíram 30,7%, enquanto os óbitos passaram de 56 para 39, uma redução de 30,4%. Entre janeiro e agosto de 2026, foram contabilizados 66.952 casos, 12,5% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

As áreas indígenas registraram 51.295 casos em 2025, redução de 15%. No mesmo período, o número de óbitos indígenas caiu de 46, em 2023, para cinco. Nas áreas de garimpo, a redução dos casos foi de 38,7% entre 2023 e 2025, mas a mobilidade populacional e as atividades ilegais continuam exigindo ações articuladas entre diferentes setores.

A programação sobre o tema segue até sexta-feira (6), quando é celebrado o Dia da Malária nas Américas, instituído pela Organização Pan-Americana da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde. Estão previstos debates sobre a verificação subnacional da eliminação da doença e sobre a atuação conjunta das três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde. No encerramento, serão apresentados compromissos políticos e um consenso regional para o período de 2026 a 2030. A malária é causada por parasitas do gênero Plasmodium e transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles. No Brasil, a maioria dos casos se concentra na Amazônia, embora as demais regiões também demandem atenção devido à maior letalidade observada onde há menor número de notificações.

Fontes da reportagem

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