Trump questiona resultado da eleição brasileira, mas afirma ter boa relação com Lula
Presidente dos Estados Unidos disse que o pleito brasileiro pareceu fraudado, sem apresentar provas, e criticou a extensão do horário de votação. Geraldo Alckmin classificou a declaração como equivocada e defendeu a segurança do sistema eleitoral brasileiro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (26) que a eleição presidencial brasileira “pareceu fraudada”, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), seu aliado. Trump não apresentou provas e disse que não pretendia tomar partido na disputa.
A declaração ocorreu depois de jornalistas perguntarem se o governo americano faria alguma ação relacionada ao resultado. Trump afirmou que não governa o Brasil, mas os Estados Unidos, e disse gostar de Lula e manter uma boa relação com o presidente brasileiro. Até o momento, segundo as informações disponíveis, ele não fez um reconhecimento oficial nem telefonou para Lula após a eleição.
O principal ponto de crítica apresentado por Trump foi a extensão do horário de votação determinada pela Justiça Eleitoral. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prorrogação até as 19h após relatos de redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento de eleitores, principalmente em São Paulo e na Bahia. A medida valia apenas para as urnas que ainda estavam abertas.
Os pedidos de ampliação do horário foram apresentados tanto pelo PT quanto pelo PL. A campanha de Lula solicitou a extensão em todo o país, enquanto a candidatura de Flávio Bolsonaro pediu a manutenção da votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Depois da decisão de Zanin, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, orientou os tribunais regionais eleitorais a manterem abertas até as 19h as seções que ainda não haviam encerrado os trabalhos, sem reabrir urnas já fechadas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin foi o único integrante do governo brasileiro mencionado como tendo respondido publicamente à fala de Trump. Em entrevista à TV Vanguarda, ele classificou como “totalmente equivocada” a afirmação de que o pleito pareceu fraudado, defendeu a urna eletrônica e afirmou que o governo continuará negociando um acordo com os Estados Unidos. Alckmin também disse que não se deve interferir na política de outro país.
A eleição terminou com uma reversão do resultado do primeiro turno. Flávio Bolsonaro havia liderado a primeira etapa, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo os dados apresentados no material eleitoral. No segundo turno, porém, Lula ampliou o apoio e foi reeleito. Pesquisas divulgadas antes da votação final apontavam uma disputa apertada entre os dois candidatos.
No cenário internacional, líderes que reconheceram a vitória de Lula destacaram a continuidade das relações com o Brasil. O presidente francês, Emmanuel Macron, parabenizou o petista e defendeu o fortalecimento da parceria entre os dois países. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou o resultado como uma vitória do progressismo, enquanto Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que a democracia e o multilateralismo haviam vencido no Brasil.
Fontes da reportagem
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