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Saúde

Estudo identifica alterações hereditárias em 5,7% dos brasileiros com câncer de próstata metastático

Pesquisa com 193 pacientes atendidos pelo SUS encontrou proporção inferior à registrada em estudos dos Estados Unidos e da Europa, mas pesquisadores dizem que ainda são necessários estudos maiores e amostras de melhor qualidade para confirmar a diferença.

Duas pessoas sentadas à mesa com modelo anatômico do sistema reprodutor masculino. Uma delas aponta com lápis para a próstata no modelo, enquanto a outra observa com as mãos cruzadas.
Crédito da imagemExame de toque retal é fundamental para detecção precoce de câncer de próstata - Peakstock/Adobe Stock
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Uma pesquisa com 193 homens atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todas as regiões do Brasil identificou alterações genéticas herdadas em 5,7% dos pacientes com câncer de próstata metastático. O índice foi inferior ao observado em estudos realizados nos Estados Unidos e na Europa, mas os pesquisadores afirmam que ainda não é possível concluir que a doença tenha menor componente hereditário entre brasileiros.

O estudo foi realizado pelo projeto Onco-Genomas Brasil, uma parceria do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, com o Ministério da Saúde, dentro do programa Genomas Brasil. Os participantes foram recrutados entre outubro de 2022 e dezembro de 2023 e tinham, em média, 68 anos. Os resultados foram publicados na revista científica Genetics in Medicine Open.

Os pesquisadores analisaram o DNA do sangue, que permite identificar características herdadas dos pais, e o material genético dos tumores, onde aparecem alterações adquiridas ao longo da vida. As alterações hereditárias estão presentes desde o nascimento em todas as células do organismo e podem ser transmitidas aos filhos. Elas não provocam câncer necessariamente, mas podem elevar o risco de desenvolver determinados tumores.

Na análise de 148 genes relacionados ao câncer em geral, 9,8% dos pacientes apresentaram alguma alteração herdada. Quando o recorte considerou apenas os genes reconhecidamente associados ao risco de câncer de próstata, a proporção caiu para 5,7%. Segundo o estudo, pesquisas feitas com pacientes norte-americanos e europeus registraram índices de até 17%.

Os autores ressaltam que a comparação entre populações precisa ser interpretada com cautela. Para o geneticista Gabriel Macedo, co-pesquisador responsável pela parte genética do trabalho, parte da diferença pode estar relacionada à dificuldade de interpretar alterações encontradas em brasileiros. Bancos de dados usados para classificar variantes genéticas foram construídos principalmente com informações de populações europeias e norte-americanas, segundo o pesquisador.

A menor frequência encontrada não significa, de acordo com os pesquisadores, que fatores ambientais, como alimentação, estilo de vida e exposições do cotidiano, tenham necessariamente maior influência no câncer de próstata entre brasileiros. O estudo também avaliou a ancestralidade genética dos participantes, que apresentou, em média, 67% de origem europeia, 14% africana e 13% indígena. Na autodeclaração de cor ou raça, 50,8% se identificaram como brancos, 37,3% como pardos e 11,4% como pretos.

O trabalho é apresentado pelos autores como o primeiro a descrever de forma abrangente as características genômicas de uma população miscigenada de pacientes com câncer de próstata metastático recrutada em todas as regiões brasileiras. A avaliação apontou que a ancestralidade europeia não deve ser interpretada como fator de aumento do risco da doença; o dado foi usado para demonstrar a diversidade da população analisada.

Outro resultado chamou atenção para uma dificuldade na aplicação da medicina de precisão no SUS: apenas 55 dos 193 pacientes, ou 28,5%, tiveram resultado válido na análise genética do tumor. O material costuma ser armazenado em blocos de parafina depois de biópsias ou cirurgias. Quando a amostra é pequena, tem baixa qualidade ou foi mal preservada, o DNA pode ficar insuficiente ou fragmentado para o exame.

Fontes da reportagem

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