Candisse entra no radar da Alese em cenário marcado pelo eleitor silencioso
Pesquisa espontânea coloca Candisse Carvalho com 2,94% das menções para deputada estadual; mais da metade dos entrevistados ainda não cita candidato, enquanto a candidata carrega uma base de 28 mil votos de 2024 em Aracaju.

Existe um eleitor que quase nunca aparece no barulho das redes sociais. Ele não comenta publicação de candidato, não participa de enquete, evita discutir política publicamente e pode passar toda a campanha sem ser entrevistado por qualquer instituto. Ainda assim, no dia da eleição, seu voto tem exatamente o mesmo peso que o de todos os outros.
Isso não significa que pesquisas sejam inúteis ou que precisem entrevistar todos os eleitores. Pesquisas eleitorais trabalham com amostras, plano amostral, ponderações, margem de erro e nível de confiança. A própria Justiça Eleitoral exige o registro dessas informações, além da identificação de quem contratou e pagou pelo levantamento. O ponto é outro: pesquisa é uma fotografia de determinado momento, enquanto a decisão do eleitor continua se movendo até a urna.
É nesse cenário que o nome de Candisse Carvalho chama atenção na corrida pela Assembleia Legislativa de Sergipe. Na pesquisa espontânea da CTAS, realizada entre 17 e 21 de agosto de 2026, Candisse alcançou 2,94% das menções para deputada estadual. Ela aparece numericamente no mesmo patamar de Antônio Bala e Maísa Mitidieri. O primeiro colocado, Cristiano Cavalcante, registra 5,64%.
O dado mais revelador talvez esteja fora do ranking. Segundo a divulgação do levantamento, 52,18% dos entrevistados ainda não mencionaram nenhum candidato a deputado estadual. A CTAS ouviu 1.283 eleitores em 50 municípios, informa margem de erro de 2,7 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro SE-08432/2026. Diferenças pequenas, portanto, precisam ser lidas com cautela.
Candisse também não parte do zero. Na eleição municipal de 2024, quando concorreu à Prefeitura de Aracaju, recebeu 28.049 votos, correspondentes a 9,24% dos votos válidos. É importante fazer a ressalva: eleição para prefeito e eleição para deputada estadual são disputas diferentes, e aqueles votos não podem ser simplesmente transportados para 2026. Mas o resultado demonstra reconhecimento eleitoral real na capital e uma base anterior que a campanha tentará preservar e ampliar.
Paralelamente, a candidata vem mantendo presença territorial por meio do Levanta Sergipe e de encontros com comunidades e lideranças. Esse movimento presencial importa justamente porque uma parcela do eleitorado não transforma preferência política em curtidas, comentários ou compartilhamentos. Redes sociais são um termômetro útil, mas não são urna.
Também seria precipitado afirmar que existe um “voto oculto” de Candisse ou prever uma surpresa eleitoral. Não há dado que permita essa conclusão hoje. O que os números disponíveis mostram é algo mais objetivo: numa disputa proporcional pulverizada, com mais da metade dos entrevistados ainda sem citar candidato no levantamento espontâneo, Candisse aparece num bloco competitivo e carrega uma votação anterior relevante em Aracaju.
Por isso, os próximos levantamentos merecem atenção especial. Se a presença territorial, a lembrança espontânea e a circulação do nome continuarem avançando simultaneamente, a candidatura poderá ganhar peso maior na leitura da disputa. Até lá, a conclusão responsável é que Candisse Carvalho já está no radar e que o eleitor silencioso continua sendo uma variável que nenhuma rede social consegue mostrar por inteiro.