Brasil lidera ranking de juros reais com taxa de 9,05% ao ano
Levantamento da consultoria Moneyou aponta que o país tem o maior juro real entre 40 economias, acima de Turquia, Argentina, Rússia e Colômbia. Resultado ocorre após o Copom manter a Selic em 13,75% ao ano.

O Brasil ocupa a primeira posição no ranking de juros reais elaborado pela consultoria Moneyou e divulgado nesta semana. A taxa brasileira foi calculada em 9,05%, mais de sete vezes acima da média de 1,27% registrada entre os 40 países analisados. O juro real corresponde à taxa de juros descontada da inflação.
Na lista, o país aparece à frente de Turquia, Argentina, Rússia e Colômbia. No levantamento anterior, publicado em setembro, o Brasil também liderava o ranking, mas com juro real de 8,45%. A alta indica que a diferença entre a taxa básica de juros e a inflação aumentou no período.
O resultado foi divulgado após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interromper, na última quarta-feira (4), o ciclo de redução da taxa básica iniciado em abril. Por unanimidade, o colegiado decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano.
Em comunicado, o Copom afirmou que as incertezas aumentaram nas semanas anteriores e que as expectativas de inflação permanecem acima da meta. O comitê não indicou qual poderá ser o caminho dos juros nas próximas reuniões. A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para influenciar a inflação.
A inflação acumulada em 12 meses passou de 4,5% para 4,62%, segundo os dados citados no levantamento. O índice ficou acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%. Com a manutenção da Selic e a inflação nesse patamar, o juro real brasileiro permaneceu elevado em relação aos demais países avaliados.
A política de juros é alvo de críticas de especialistas e do setor industrial. A Confederação Nacional da Indústria classificou como injustificável a decisão de manter a taxa e afirmou que o nível atual encarece o crédito para empresas e famílias. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, seria possível reduzir os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta sem impor um custo maior à economia.
O custo dos juros também aparece nas contas públicas. Segundo dados do Banco Central, as despesas com juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão nos 12 meses anteriores, o equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto brasileiro. A elevação dos juros aumenta o custo de financiamento da dívida pública e é apontada pelo BC como sua principal causa de crescimento.
Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agentes do mercado financeiro passaram a cobrar medidas de redução de gastos para estabilizar a dívida pública. O endividamento, que correspondia a 71,7% do PIB em 2022, alcançou cerca de 82,9% do PIB em agosto de 2026. Economistas críticos à política monetária do Banco Central, por outro lado, defendem que a redução dos juros deve fazer parte de uma estratégia alternativa para conter o avanço da dívida.
Fontes da reportagem
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