As Novas Pontes e o Turismo
A construção de novas pontes pode ampliar o fluxo de visitantes no litoral sergipano, mas, segundo o advogado e mestre em gestão de políticas culturais Carlos Nascimento, o impacto econômico dependerá de planejamento, preservação ambiental, infraestrutura e integração entre os municípios.

A previsão de duas novas pontes no litoral sergipano reacende o debate sobre a capacidade do estado de transformar obras de mobilidade em desenvolvimento turístico. Em artigo, Carlos Nascimento afirma que a ligação entre Neópolis e Penedo e a conexão entre a Coroa do Meio e a região da Atalaia Nova podem ampliar o corredor turístico, desde que sejam acompanhadas por políticas públicas para estruturar os destinos.
O autor retoma uma reflexão publicada há quase 14 anos, quando alertou que obras como as pontes Construtor João Alves, Joel Silveira e Gilberto Amado tenderiam a aumentar o fluxo de pessoas, mas não necessariamente fariam com que os municípios diretamente impactados recebessem os benefícios econômicos do turismo. Para ele, parte desse movimento é formada tecnicamente por visitantes, e não por turistas que permanecem, consomem e utilizam serviços locais.
Na avaliação apresentada no texto, ainda é necessário verificar quais empreendimentos foram instalados nessas áreas, se houve ampliação da rede de hospedagem e quais políticas foram efetivamente adotadas para organizar o setor. Nascimento também questiona a participação dos municípios do litoral na instância de governança regional do Polo Costa dos Coqueirais, estrutura que reúne localidades com interesses turísticos comuns.
O desenvolvimento do litoral Norte, segundo o autor, enfrenta limitações ambientais, especialmente pela presença da Reserva Ecológica de Santa Isabel. Ele ressalta, contudo, que praias não são os únicos atrativos disponíveis e defende o aproveitamento sustentável de patrimônios naturais e culturais. Na avaliação dele, ações permanentes de planejamento poderiam gerar resultados mais duradouros do que eventos concentrados em um único fim de semana.
O artigo cita a Barra dos Coqueiros como um município com potencial turístico, mas afirma que o avanço de condomínios pode reduzir os acessos públicos à praia e, futuramente, às margens do Rio Sergipe, na região do Rio Pomonga. O texto também menciona Pirambu, que, apesar da divulgação espontânea das belezas de Lagoa Redonda, ainda teria presença limitada do poder público na organização do turismo local.
Outro alerta apresentado envolve a SE-100 Norte, no trecho entre Aningas e o entroncamento com a SE-440. Conforme o artigo, a via está sendo asfaltada em uma área urbanizada, com pista estreita e sem acostamento. O autor também relata que a ponte sobre o Riacho Sangradouro permite a passagem de apenas um veículo por vez e que ônibus de excursão costumam estacionar nas proximidades de um balneário instalado perto de uma curva, situação que, segundo ele, aumenta os riscos para quem circula pela rodovia.
Lagoa Funda e Cachoeira do Roncador são apontadas como atrações que enfrentam problemas de segurança, descarte irregular de lixo e falta de manutenção viária. O texto registra ainda que houve ataques a veículos na região, com pneus furados, e menciona a existência de um buraco na entrada da Lagoa Funda. Seguindo pelo litoral Norte, o autor cita o mirante do Robalo, o chamado Pantanal de Pacatuba e iniciativas privadas em Pacatuba e Brejo Grande como pontos ou experiências que podem contribuir para a diversificação do roteiro.
No trecho entre Brejo Grande e Neópolis, pela SE-200, o artigo destaca as paisagens às margens do Rio São Francisco e defende a inclusão de Ilha das Flores em roteiros turísticos. Neópolis, por sua vez, poderia ampliar sua divulgação para além do Carnaval, em articulação com Santana do São Francisco. Para Carlos Nascimento, a futura ponte entre Sergipe e Alagoas terá importância turística maior se for integrada a um planejamento regional capaz de transformar o deslocamento em uma experiência ao longo de todo o percurso.