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Rede de saúde do DF inicia novo mandato de Celina Leão sob pressão

Superlotação em UPAs, falta de profissionais e mais de 33 mil pedidos de cirurgias eletivas pendentes estão entre os principais desafios da governadora reeleita no Distrito Federal.

Rede de saúde do DF inicia novo mandato de Celina Leão sob pressão
Crédito da imagemArte editorial contextual: Observatório Sergipe
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Reeleita para mais quatro anos à frente do Distrito Federal, Celina Leão (PP) inicia o novo mandato com a rede pública de saúde pressionada por superlotação, falta de profissionais e filas para procedimentos. Em 2026, 11 das 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) chegaram a operar acima da capacidade regular, segundo dados do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

O quadro mais grave foi registrado na UPA Ceilândia II, que alcançou taxa de ocupação de 400%, conforme informações do MPDFT referentes a julho de 2026. O percentual indica uma unidade funcionando muito acima da capacidade prevista. No Hospital Regional de Taguatinga, o pronto-socorro permaneceu acima da capacidade máxima durante um ano, de acordo com dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

Além da pressão sobre os serviços de urgência, a rede enfrenta uma fila superior a 33 mil solicitações de cirurgias eletivas. O número consta no Mapa Social da Saúde, do MPDFT. São procedimentos que não têm caráter emergencial, mas cujo agendamento depende da capacidade de atendimento e da organização da rede pública.

Durante a campanha, Celina afirmou que nenhum paciente deveria esperar mais de dois meses por uma cirurgia, considerando a gravidade e o tipo do procedimento. A promessa estabelece um prazo máximo para reduzir a espera, mas o desafio é compatibilizar essa meta com uma rede que já registrou ocupação equivalente ao dobro da capacidade em uma de suas UPAs.

A fila não se limita às cirurgias eletivas. Segundo o Mapa Social da Saúde, 1.902 pessoas aguardam um transplante de órgão no Distrito Federal. O dado amplia a dimensão do problema, que envolve tanto o atendimento imediato nas unidades de pronto atendimento quanto procedimentos regulados e de maior complexidade.

Para enfrentar a falta de estrutura, a governadora também prometeu entregar cinco UPAs reformadas. Até a reeleição, contudo, não havia uma data específica anunciada para as entregas. Durante a campanha, ela ainda propôs reduzir gastos do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) para viabilizar a contratação de mais profissionais.

A Secretaria de Saúde deu um passo na recomposição do quadro ao convocar 75 padioleiros aprovados em uma seleção realizada no fim de outubro. A medida ocorre em meio à necessidade de ampliar a capacidade operacional da rede, mas os dados de superlotação e das filas mostram que o novo mandato terá de transformar promessas e ações pontuais em atendimento regular para a população.

O principal desafio de Celina Leão será reduzir a pressão sobre hospitais e UPAs, acelerar a realização das cirurgias pendentes e recompor a força de trabalho sem perder capacidade de atendimento em outras áreas. A situação da saúde pública será um dos primeiros testes da gestão reeleita no Distrito Federal.

Fontes da reportagem

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