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Saúde

Suplementos viram tendência nas redes, mas nem todo mundo precisa deles

A popularização de whey protein, creatina, vitamina D e ômega-3 nas redes sociais ampliou o interesse por suplementos, mas a indicação depende da alimentação, da saúde e dos objetivos de cada pessoa. Especialista alerta para riscos do uso por conta própria e reforça a importância de orientação profissional.

Suplementos viram tendência nas redes, mas nem todo mundo precisa deles
Crédito da imagemNão informado na origem
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Whey protein, creatina, vitamina D e ômega-3 ganharam espaço nas conversas sobre saúde, estética e qualidade de vida, impulsionados também por influenciadores fitness e conteúdos publicados nas redes sociais. O interesse envolve objetivos diferentes, como ganho de massa muscular e melhora da disposição, mas a necessidade de suplementação depende da alimentação, do estado de saúde e das metas individuais, segundo a nutróloga Ana Luisa Vilela.

A médica explica que suplementos têm indicações específicas e não são indispensáveis para todas as pessoas. O uso deve partir de uma necessidade identificada, e não apenas da popularidade de um produto ou do relato de resultados obtidos por alguém na internet. Antes de iniciar qualquer suplemento, é preciso definir o objetivo e avaliar se existe indicação para aquele caso.

O whey protein, derivado do soro do leite, pode ser útil para quem tem dificuldade de atingir a quantidade diária de proteínas por meio da alimentação. A praticidade faz com que ele seja usado em diferentes rotinas de treino, embora o produto não seja obrigatório para o ganho de massa muscular. A necessidade de proteína varia conforme fatores como idade, peso, nível de atividade física, estado de saúde e objetivo.

O consumo diário de proteínas também pode ser atendido por alimentos como ovos, carnes, peixes, leite e derivados. Feijão, lentilha e grão-de-bico são outras fontes. Por isso, a decisão de suplementar precisa levar em conta o que já faz parte da alimentação da pessoa e a quantidade efetivamente necessária.

As proteínas vegetais também ampliaram sua presença no mercado. Produtos à base de ervilha, arroz, soja, grão-de-bico e proteínas obtidas de leveduras podem complementar a ingestão proteica de pessoas que não consomem alimentos de origem animal ou que preferem variar suas fontes. Dependendo da formulação, a combinação de diferentes proteínas vegetais pode contribuir para um perfil de aminoácidos mais completo. A escolha deve considerar a composição do produto e a quantidade de proteína por porção.

Entre os suplementos mais estudados está a creatina. Segundo Ana Luisa Vilela, ela pode contribuir para o desempenho em exercícios de alta intensidade e para o ganho de força e massa muscular quando associada a um treinamento adequado. Esses possíveis benefícios não se limitam a atletas profissionais, mas a indicação deve considerar as características e os objetivos de cada pessoa. Em casos de doenças preexistentes ou outras condições de saúde, o acompanhamento médico é especialmente importante.

A vitamina D participa da saúde óssea e do metabolismo do cálcio, mas isso não significa que sua suplementação seja necessária para todos. A indicação depende de fatores como idade, condições clínicas, risco de deficiência e avaliação médica. Como é uma vitamina lipossolúvel, pode se acumular no organismo. Doses elevadas e usadas sem orientação podem aumentar o cálcio no sangue, quadro conhecido como hipercalcemia, e provocar outras complicações. O produto não deve ser utilizado indiscriminadamente para tentar melhorar a imunidade ou combater o cansaço.

A necessidade de ômega-3 também varia conforme a alimentação e as condições clínicas. Sardinha e salmão fornecem EPA e DHA, enquanto chia e linhaça são fontes de ALA, outro tipo de ômega-3. Em situações específicas, o suplemento pode ser considerado, mas não há base para afirmar que todas as pessoas precisam usá-lo ou que o produto, sozinho, previne doenças cardiovasculares. A avaliação deve incluir possíveis interações com medicamentos e o estado de saúde do paciente.

A circulação de recomendações genéricas nas redes sociais pode levar ao uso de doses inadequadas e à combinação de vários produtos sem análise da composição ou da quantidade total de nutrientes ingeridos. Dependendo da dose, do histórico de saúde e dos medicamentos utilizados, essa prática pode causar efeitos adversos e riscos desnecessários. Para a nutróloga, a avaliação da alimentação, da rotina, dos sintomas e das necessidades individuais deve preceder a suplementação. Sono adequado, alimentação variada, atividade física e acompanhamento de saúde continuam sendo partes fundamentais do cuidado, enquanto os suplementos devem ser usados quando houver indicação e objetivos definidos.

Fontes da reportagem

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