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Economia

Redução do desmatamento pode ter evitado R$ 1,16 trilhão em danos climáticos, estima estudo

Análise do Ibre calcula que a queda das áreas desmatadas na Amazônia e no Cerrado entre 2023 e 2026 evitou a emissão de 1,49 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa e gerou benefícios econômicos globais estimados em R$ 1,16 trilhão.

Bragança (PA), 12/06/2025 – Vista de um braço do Rio Caeté em área de manguezal na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu monitorada pelo projeto Mangues da Amazônia. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Crédito da imagemNão informado na origem
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A redução do desmatamento na Amazônia brasileira e no Cerrado entre 2023 e 2026 pode ter evitado cerca de R$ 1,16 trilhão em danos climáticos para a economia global, segundo estudo do economista Bráulio Borges publicado nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Do total estimado, entre R$ 67 bilhões e R$ 192 bilhões corresponderiam a benefícios para a economia brasileira.

A análise compara as áreas desmatadas nos dois biomas entre 2019 e 2022 com os registros de 2023 a 2026. No primeiro período, foram desmatados 78,9 mil quilômetros quadrados. No segundo, a área caiu para 56,7 mil quilômetros quadrados. A diferença é de aproximadamente 22,3 mil quilômetros quadrados, sendo 21 mil quilômetros quadrados na Amazônia e 1,4 mil quilômetros quadrados no Cerrado. A área que deixou de ser desmatada é um pouco maior que a extensão territorial de Sergipe, de 21,9 mil quilômetros quadrados.

O estudo considera a hipótese de que o ritmo de desmatamento observado entre 2019 e 2022 teria sido mantido nos quatro anos seguintes. Os dados usados pelo pesquisador seguem os períodos de 12 meses encerrados em julho, padrão adotado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No intervalo de agosto de 2025 a julho de 2026, o desmatamento caiu 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado, de acordo com o instituto.

A área desmatada na Amazônia nesse período foi de 3.335 quilômetros quadrados, a menor desde 1998. No Cerrado, foram registrados 5.516,69 quilômetros quadrados, menor extensão desde 2001. O levantamento do Inpe é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e foi incorporado aos cálculos do estudo do Ibre.

Com base em modelos de emissão de gases de efeito estufa e no chamado Custo Social do Carbono, Borges estima que a redução do desmatamento evitou a emissão de 1,49 bilhão de toneladas desses gases entre 2023 e 2026. O indicador atribui um valor monetário aos prejuízos provocados por cada tonelada adicional de dióxido de carbono e de outros gases na atmosfera. No cenário central, o pesquisador adotou um custo médio de US$ 145 por tonelada de dióxido de carbono equivalente, calculado a partir de estudos de outros autores.

A estimativa central aponta R$ 1,16 trilhão em danos climáticos globais evitados. Em um cenário considerado mais conservador, o benefício seria de R$ 621 bilhões. No cenário mais otimista, chegaria a R$ 9,8 trilhões. Para o Brasil, o estudo projeta ganhos entre R$ 67 bilhões e R$ 192 bilhões, associados a perdas evitadas de safras, menor estresse térmico sobre a produtividade do trabalho e menor ocorrência de eventos extremos, entre outros efeitos.

O cálculo não inclui impactos regionais e diretos do desmatamento da Amazônia sobre chuvas, temperatura e disponibilidade de água no território brasileiro. Segundo o estudo, a economia do país depende fortemente da água e das chuvas para a geração hidrelétrica, a agropecuária e o abastecimento urbano. A floresta também contribui para os chamados rios voadores, correntes de umidade formadas pela evapotranspiração que transportam vapor d’água para regiões como o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul.

Pesquisas citadas por Borges relacionam o aumento do desmatamento à redução das chuvas transportadas por essas correntes. Com base em estimativas de outros autores, o valor da chuva gerada pela Amazônia brasileira, calculado pelo preço da água usada na irrigação agrícola, seria de aproximadamente US$ 20 bilhões por ano, ou US$ 60 por hectare de floresta ao ano. O estudo afirma que esse benefício se mantém enquanto a floresta permanecer em pé e que a conta ainda não considera ganhos para a navegação fluvial, a redução de incêndios, a biodiversidade e o abastecimento urbano. Borges cita o Sistema Cantareira, em São Paulo, como parte da rota dos rios voadores.

Há cerca de quatro anos, o mesmo economista havia estimado que o aumento do desmatamento e das emissões entre 2019 e 2022, em comparação com a manutenção do nível observado em 2018, provocara prejuízo de aproximadamente R$ 1,22 trilhão para a economia mundial, em valores da época. No estudo atual, Borges afirma que mecanismos como o Fundo Amazônia, o mercado de créditos de carbono e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado pelo Brasil na COP30, seguem na direção de remunerar a preservação. Para ele, porém, os valores pagos ainda representam uma fração dos benefícios econômicos associados à manutenção das florestas.

O economista também defende que o Custo Social do Carbono seja incorporado às análises de custo-benefício de políticas públicas, incluindo obras de infraestrutura na Amazônia, a expansão do setor elétrico e a definição de tributos e subsídios. A conclusão do estudo é que a redução do desmatamento pode gerar benefícios econômicos superiores à remuneração atualmente recebida pelo Brasil de entidades internacionais e de outros países pela preservação florestal.

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