UFS sedia debate com representantes de nações africanas
Roda de conversa promovida pelo coletivo Black Connection-SE reuniu participantes de Gana, Marrocos, Moçambique e Angola no Campus São Cristóvão para discutir vivências africanas, relações com o Brasil e a presença de estudantes estrangeiros na universidade.

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) recebeu, na sexta-feira (16), a roda de conversa internacional “Da África que Você Ouviu à África que Nós Vivemos”. Promovido pelo coletivo Black Connection-SE, o encontro ocorreu no Auditório da Didática 5, no Campus São Cristóvão, com representantes de Gana, Marrocos, Moçambique e Angola. A programação também teve apresentação musical da cantora Lari Lima.
A proposta foi discutir diferentes perspectivas sobre o continente africano e suas relações culturais com o Brasil. O encontro reuniu estudantes e integrantes da comunidade universitária em um diálogo sobre experiências de pessoas africanas que vivem ou estudam em Sergipe, além de abordar a forma como o continente é apresentado em livros, filmes, novelas e outros meios de comunicação.
Samuel Okoh Agyemang, organizador e um dos palestrantes, vive no Brasil há quase sete anos, depois de deixar Gana. Segundo ele, a iniciativa busca aproximar os estudantes das experiências concretas de africanos que estão no país. Agyemang afirmou que os conteúdos acadêmicos não são suficientes para representar todas as vivências do continente e defendeu a criação de espaços em que os próprios africanos possam contar suas histórias.
O professor angolano Jorge Yoñuma participou do debate enquanto cursa doutorado em recursos hídricos em Sergipe. Engenheiro ambiental, ele disse ter chegado ao estado havia 52 dias e lembrou que já esteve no Brasil em 2015 e 2016. Na avaliação dele, anteriormente havia menos fóruns voltados a discussões sobre África, africanidade e história africana. Por isso, considerou relevante a existência de comunidades, organizações e articulações institucionais capazes de promover esse tipo de encontro.
O representante do Marrocos, Omar Hasbi, é cirurgião-dentista e membro fundador da Associação de Estudantes Estrangeiros da UFS (AEEUFS). Ele estudou na universidade por meio do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), iniciativa do governo brasileiro que oferece vagas gratuitas em instituições de ensino do país a cidadãos de nações parceiras em desenvolvimento.
Hasbi também falou sobre as dificuldades enfrentadas por estudantes estrangeiros durante a adaptação ao Brasil. Segundo ele, compartilhar essas experiências pode ajudar quem está chegando à universidade ou ainda precisa percorrer um longo caminho de formação. O marroquino defendeu que encontros como o realizado na UFS contribuam para questionar imagens preconcebidas sobre seu país e sobre a África, muitas vezes associadas ao conteúdo difundido por grandes veículos de comunicação, novelas e filmes.
Para Matheus Vinícius, estudante do curso de Geografia bacharelado no Campus São Cristóvão, a roda de conversa ampliou o contato com a diversidade do continente africano. Ele afirmou que o evento ofereceu espaço para que os participantes apresentassem suas culturas e perspectivas, além de discutir a redução da África à condição de fornecedora de recursos naturais. Na avaliação do estudante, o continente reúne diferentes realidades e sociedades.
A atividade colocou em contato representantes de quatro países africanos e estudantes da UFS em torno de temas ligados à educação, à presença estrangeira na universidade, ao racismo e à representação cultural. Os relatos apresentados durante o encontro reforçaram a defesa de uma formação antirracista e de maior inclusão para estudantes estrangeiros no ambiente universitário.