UFPE registra três incêndios em oito dias e estima prejuízo de R$ 100 milhões
Ocorrências atingiram laboratórios e outras instalações da Universidade Federal de Pernambuco entre 30 de setembro e 7 de outubro. Não houve feridos, e as causas dos dois últimos incêndios ainda não foram esclarecidas; a universidade acionou a Polícia Federal.

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) registrou três incêndios em oito dias, entre 30 de setembro e 7 de outubro, em prédios de diferentes áreas do campus da Cidade Universitária, no Recife. Nenhuma das ocorrências deixou feridos. Até esta quinta-feira (8/10), não havia confirmação de que os casos estivessem relacionados ou tivessem origem criminosa.
O incêndio mais recente ocorreu na noite de quarta-feira (7/10), em um prédio localizado nas proximidades da Casa do Estudante. As chamas começaram por volta das 20h e foram controladas no fim da noite com o apoio de cinco viaturas do Corpo de Bombeiros. O imóvel, que havia funcionado como restaurante universitário, foi adaptado para abrigar laboratórios e estruturas de pesquisa.
Segundo a UFPE, o fogo se espalhou rapidamente por causa dos produtos armazenados no prédio. O reitor Alfredo Gomes afirmou que foram destruídos equipamentos, amostras e dados de pesquisas mantidos em computadores. No primeiro andar, onde funcionavam laboratórios de áreas como fármacos, genética, inovação terapêutica e informática, a universidade estima prejuízo de aproximadamente R$ 100 milhões em equipamentos, insumos e materiais.
O espaço abrigava pesquisas relacionadas a câncer, obesidade, Covid-19, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e autismo. De acordo com o reitor, cerca de 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado eram desenvolvidas no local, que também guardava dados acumulados ao longo de 20 anos. Gomes classificou a perda das pesquisas como “irreparável” e disse que entre 80 e 100 estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado foram afetados.
O térreo do prédio ainda não teve o impacto totalmente avaliado. No local havia dois laboratórios de nível de biossegurança 3 (NB3), estruturas com controle rigoroso para a manipulação de agentes que podem causar doenças graves, além de dependências ligadas a outras unidades da universidade, como a de educação física. O valor estimado pela UFPE não inclui os danos nesse pavimento nem os prejuízos dos outros dois incêndios.
A primeira ocorrência foi registrada na tarde de 30 de setembro, em um laboratório de pesquisa do Departamento de Física, ligado ao Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN). A universidade apontou, como hipótese inicial, que o fogo pode ter começado em um forno mufla, equipamento utilizado para aquecer substâncias a temperaturas elevadas. O incêndio começou por volta das 13h30, durante a manipulação de um produto químico.
Cinco dias depois, em 4 de outubro, um novo incêndio atingiu parte do Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Também não houve vítimas. O laboratório desenvolve pesquisas em citogenética vegetal, genética de populações, filogeografia e evolução de plantas, além de análises moleculares, sequenciamento de DNA e citometria de fluxo. Até o momento, não foram divulgadas informações que esclareçam a origem do fogo ou indiquem ligação com o caso do Departamento de Física.