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Eleicoes 2026

PL amplia força no Senado, mas ainda não reúne votos para afastar ministros do STF

Levantamento citado pela BBC aponta 44 senadores associados ao bolsonarismo a partir de 2027. O número fortalece a oposição nas disputas com o Supremo, mas fica abaixo dos 54 votos necessários para aprovar o impeachment de um ministro da Corte.

Foto de Michelle Bolsonaro ao lado de Jair Bolsonaro
Crédito da imagemLegenda da foto, Michelle Bolsonaro (PL-DF) foi a senadora mais votada do Distrito Federal e vai ocupar uma vaga no Senado a partir de 2027
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A bancada associada ao bolsonarismo deverá alcançar 44 das 81 cadeiras do Senado a partir de 2027, segundo levantamento da cientista política Beatriz Rey, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Embora represente a maior força política individual na Casa, o grupo não terá votos suficientes para aprovar sozinho o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que exige o apoio de 54 senadores.

O resultado considera os senadores eleitos no primeiro turno das eleições de 2026 e os parlamentares cujos mandatos permanecem até 2031. De acordo com a classificação apresentada à BBC News Brasil, 24 senadores estão ligados ao campo lulista e 13 foram considerados independentes dos dois grupos. Entre as 54 cadeiras em disputa, 30 foram conquistadas por candidatos que receberam apoio direto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O desempenho foi impulsionado principalmente pelo PL, que venceu 19 das vagas em disputa, e pelo Novo, que conquistou três assentos. Em alguns Estados, a direita elegeu os dois senadores concorrentes de sua chapa. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) foram eleitas e se juntarão a Damares Alves (Republicanos-DF), já integrante do Senado. Em São Paulo, Guilherme Derrite (Republicanos-SP) e André do Prado (PL) venceram a disputa pelas duas cadeiras.

Também foram citadas dobradinhas bolsonaristas em Mato Grosso do Sul, com Capitão Contar (PL) e Reinaldo Azambuja (PL), e em Santa Catarina, onde Carolina de Toni (PL-SC) e Carlos Bolsonaro (PL-SC) foram eleitos. A composição poderá levar dois integrantes da família Bolsonaro ao Senado, sem contar Flávio Bolsonaro, que ainda pode disputar o segundo turno da eleição presidencial.

Para o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília Carlos Machado, o avanço resultou de uma estratégia de coordenação eleitoral voltada especificamente para o Senado. Segundo ele, a direita lançou candidaturas competitivas para as duas vagas disponíveis em vários Estados e orientou seus eleitores a votar nos dois nomes. A avaliação é que essa organização, já observada em eleições anteriores, estava mais estruturada em 2026.

Especialistas ouvidos pela BBC também apontaram falta de coordenação entre partidos de centro e de esquerda. Beatriz Rey afirmou que essas forças mantiveram candidaturas concorrentes em Estados onde poderiam ter buscado acordos para concentrar votos. Na avaliação da pesquisadora, a direita combinou mobilização digital com atuação em espaços de convivência e organizações sociais, enquanto os demais grupos não trataram a eleição para o Senado com a mesma prioridade.

Apesar da quantidade de pedidos, Alcolumbre não havia dado andamento a nenhum deles. Cabe à Presidência do Senado decidir sobre o prosseguimento inicial desse tipo de processo, e o senador vinha resistindo às pressões da oposição para abrir procedimentos contra integrantes do STF. Para Beatriz Rey, o fortalecimento da direita aumenta a capacidade de pressionar pela tramitação e eleva o custo político de barrar as solicitações, mas não garante que o confronto com o Supremo ocorrerá imediatamente.

A bancada de 44 senadores também não alcança sozinha o quórum para aprovar propostas de emenda à Constituição, fixado em 49 votos, mas precisaria de apenas cinco apoios adicionais. Entre as pautas que podem ganhar força está a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, defendida por diversos candidatos de direita. A composição final da Casa e as negociações para a escolha da Presidência do Senado serão decisivas para definir o alcance da nova maioria nas disputas com o STF e na votação de propostas constitucionais.

Fontes da reportagem

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