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Reportagem aponta influência de Flávio Bolsonaro em hospitais federais do Rio durante a pandemia

Apuração da Agência Pública relaciona o senador a indicações na rede federal de saúde a partir de 2019 e descreve contratos questionados, trocas frequentes de diretores e leitos fechados durante a crise da Covid-19. Flávio nega ter participado de uma nomeação citada e não respondeu aos pedidos de posicionamento.

A influência de Flávio Bolsonaro nos hospitais federais apareceu na CPI da Covid pelo depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel
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Uma reportagem da Agência Pública aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, passou a exercer influência sobre indicações na rede de hospitais federais do Rio de Janeiro a partir de 2019. A apuração também descreve problemas de gestão, contratos com valores acima do mercado e a manutenção de leitos fechados durante a pandemia de Covid-19.

Um dos episódios citados envolve o Hospital Federal de Bonsucesso. Luana Camargo deixou a direção após uma festa de aniversário da unidade, orçada em R$ 156 mil. O então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, efetivou o médico Paulo Cotrim no cargo. Flávio Bolsonaro criticou publicamente a escolha, afirmou que não havia participado da nomeação e disse que havia desaconselhado a indicação. Cotrim foi exonerado menos de um mês depois e substituído por Cristiane Jourdan.

Segundo a reportagem, os seis hospitais federais do Rio conviveram entre 2019 e 2022 com precariedade administrativa e contratos de apoio com preços superiores aos praticados no mercado. Um diagnóstico do Ministério da Saúde, elaborado em fevereiro de 2023, registrou que 72% dos recursos da rede, equivalentes a R$ 50,3 milhões por mês, eram destinados ao custeio de serviços como limpeza, vigilância e rouparia.

No Bonsucesso, contratos de apoio administrativo teriam apresentado margens de lucro até 561% superiores ao que havia sido acordado, conforme os dados citados pela Agência Pública. O hospital teve cinco diretores em quatro anos. O diagnóstico também apontou que mudanças na direção coincidiam com o encerramento de contratos, o que levava à abertura de novas contratações emergenciais.

O relatório final da CPI da Covid registrou que 30% dos leitos clínicos e de terapia intensiva da rede federal no Rio permaneceram fechados durante a pandemia. A maior parte das vagas estava impedida por falta de profissionais, embora pudesse atender pacientes. Em março de 2021, havia 650 leitos nessa situação. No fim de dezembro de 2020, 3,5 mil contratos foram encerrados, enquanto a Medida Provisória 1.022 prorrogou 1,4 mil por 60 dias. Para a CPI, o cenário agravou as dificuldades de atendimento.

A situação da rede federal foi posteriormente examinada em uma visita da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. Em abril de 2023, a comitiva, a pedido do deputado Daniel Soranz (PSD-RJ), encontrou a emergência do Bonsucesso ainda fechada. Na ocasião, 126 dos 411 leitos da unidade estavam impedidos, e havia pacientes em macas nos corredores do Hospital Federal Cardoso Fontes.

Desde 2024, cinco das seis unidades deixaram de ser administradas diretamente pelo Ministério da Saúde. O Bonsucesso passou ao Grupo Hospitalar Conceição em outubro de 2024. Andaraí e Cardoso Fontes foram transferidos para a Prefeitura do Rio em dezembro daquele ano. Em dezembro de 2025, o Hospital dos Servidores passou à gestão da Ebserh e da Unirio. Em 2026, o Hospital da Lagoa foi transferido para a Fiocruz. O Hospital de Ipanema continua sob administração do ministério.

De acordo com informações do Ministério da Saúde citadas pela Agência Pública, o orçamento anual da rede aumentou de aproximadamente R$ 800 milhões para R$ 2 bilhões. A pasta informou ainda a reabertura de 335 leitos, a reativação de 16 salas cirúrgicas e um crescimento de 30% no número de cirurgias, que chegou a 21.869 em 2025. Flávio Bolsonaro foi procurado pela Agência Pública e não respondeu. Também não havia enviado posicionamento até a publicação da reportagem.

Fontes da reportagem

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