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Lula defende fim da escala 6×1; Flávio Bolsonaro apoia jornada flexível

As propostas dos candidatos do segundo turno divergem sobre a duração do trabalho: Lula apoia reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, enquanto Flávio Bolsonaro assinou uma PEC que cria contratos com pagamento proporcional às horas trabalhadas.

Luiz Inácio Lula da Silva.
Crédito da imagemNão informado na origem
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A discussão sobre a escala 6×1 ganhou espaço no segundo turno da eleição, com propostas diferentes apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto Lula defende o fim do regime de seis dias trabalhados por um de descanso e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição de salário, Flávio apoia uma alternativa baseada na flexibilidade da carga horária e no pagamento proporcional ao tempo trabalhado.

A proposta defendida por Lula já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e começou a tramitar no Senado na terça-feira (6/10). O compromisso aparece no plano de governo registrado pelo presidente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que prevê a atuação junto aos senadores para aprovar o fim da escala 6×1 e a redução da jornada, sem corte salarial. O texto também cita o combate à pejotização considerada irregular e a regulamentação do trabalho por aplicativos, mas é a jornada de trabalho que se tornou um dos principais temas da campanha.

A estratégia do PT no segundo turno é apresentar o fim da escala 6×1 como uma medida de proteção ao trabalhador e associar a posição contrária ao projeto ao candidato do PL. Lula já havia transformado o tema em uma bandeira de campanha antes do início oficial da disputa. Em abril, apareceu usando um boné com a frase “Pelo fim da escala 6×1” durante um encontro com centrais sindicais. Em outra ocasião, afirmou que os avanços tecnológicos e o aumento da produtividade deveriam beneficiar também os trabalhadores.

Flávio Bolsonaro não menciona nominalmente a escala 6×1 nem a PEC 12/2026 em seu plano de governo. No capítulo dedicado ao trabalho, porém, defende uma jornada flexível e o princípio de que trabalhador e empresa possam negociar diretamente as condições do contrato, dentro da lei. A proposta é apresentada como forma de ampliar a liberdade de quem trabalha, especialmente mães, jovens e pessoas com dificuldade de ingresso no mercado.

A PEC 12/2026 foi apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e recebeu a assinatura do senador. O texto cria uma modalidade alternativa à contratação tradicional pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Nesse modelo, empregado e empregador poderiam escolher um contrato em que o pagamento e benefícios como 13º salário, férias e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) seriam calculados proporcionalmente às horas efetivamente trabalhadas, sem um limite semanal fixo estabelecido pela proposta, segundo a descrição apresentada no material legislativo.

Apoiadores chamam a iniciativa de “PEC da liberdade” ou “PEC do horário flexível”. Críticos, entre eles a deputada reeleita Erika Hilton (PSOL-SP) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), usam expressões como “PEC da escravidão” e “escala 7×0” para argumentar que o modelo poderia permitir jornadas sem um dia de descanso garantido. A divergência está relacionada à interpretação dos efeitos da proposta, e não a uma alteração já implementada nas regras trabalhistas.

Flávio afirmou que sua proposta permitiria ao trabalhador escolher quantas horas deseja trabalhar e defendeu a possibilidade de ampliar a carga horária para quem quiser. O senador também disse que a legislação atual foi criada em um período anterior à internet, ao trabalho remoto e aos aplicativos. Ao criticar a redução geral da jornada, argumentou que ela poderia provocar desemprego e que trabalhar menos não significaria necessariamente ganhar mais. Ele ainda associou a flexibilidade à entrada de mais mulheres no mercado de trabalho.

O candidato do PL tem evitado declarar se votaria contra ou a favor do fim da escala 6×1 e sustenta que sua proposta seria uma alternativa mais ampla. Em 1º de setembro, interrompeu a agenda de campanha para acompanhar a tramitação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Flávio é suplente do colegiado e só teria direito a votar na ausência de um titular de seu bloco parlamentar. Com o tema em análise no Senado, a jornada de trabalho passou a funcionar também como um dos principais pontos de contraste entre os dois projetos de governo.

Fontes da reportagem

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