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Cultura

Hino preenche lacuna histórica e passa a compor grade de símbolos cívicos oficiais de Aracaju

Oficializado pela Lei Municipal nº 6.383, de 2 de julho de 2026, após concurso público promovido pela Prefeitura, o hino passa a formar, com a bandeira e o brasão, o conjunto de símbolos cívicos oficiais da capital sergipana.

Hino preenche lacuna histórica e passa a compor grade de símbolos cívicos oficiais de Aracaju
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Aracaju passou a contar oficialmente com um hino municipal em 2026. A composição foi instituída pela Lei Municipal nº 6.383, sancionada em 2 de julho, depois de um concurso público realizado pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Cultura. A medida completa a representação cívica da capital, que já tinha bandeira e brasão de armas.

A legislação incorporou ao ordenamento municipal a letra e a partitura completas da obra, de autoria do tenente do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe José Gentil Leite. O hino foi apresentado em uma solenidade no Teatro Tobias Barreto e aborda referências à formação histórica e à identidade cultural de Aracaju.

A letra menciona a fundação da cidade às margens do Rio Sergipe e aos pés da Colina de Santo Antônio, além de fazer referência à origem do nome Aracaju, às praias e aos festejos juninos. Para o compositor, a obra deveria reunir, de forma concisa, elementos capazes de sintetizar a trajetória do município e também estimular o interesse das novas gerações pela história local.

Gentil Leite informou que levou cerca de 20 dias para elaborar e aperfeiçoar a composição dentro das exigências do concurso. Segundo ele, o hino tem uma função educativa e deve ser executado para que seja reconhecido, divulgado e incorporado às tradições da cidade. O compositor começou a atuar com música aos 13 anos, passou por bandas populares, integrou a Orquestra Sinfônica e trabalhou com diferentes artistas antes de ingressar no Corpo de Bombeiros, em 2002.

A relação do músico com homenagens a Aracaju começou antes da criação do hino oficial. Em 2005, ele venceu o concurso para a composição comemorativa dos 150 anos da capital. De acordo com Gentil, a experiência alimentou o objetivo de participar de uma futura seleção destinada a escolher o hino permanente do município.

Na avaliação do professor e historiador Osvaldo Ferreira Neto, o hino contribui para a construção da identidade cultural aracajuana por reunir música, poesia e referências ao território. Ele considera que a valorização do símbolo também representa o reconhecimento da história do município e de suas transformações ao longo do tempo.

A bandeira e o brasão de Aracaju têm origem em um concurso realizado em 1955, durante as comemorações do centenário da consolidação da cidade como capital de Sergipe. Segundo Osvaldo, o artista Florival Santos venceu a seleção e concebeu a bandeira com elementos relacionados ao estuário do Rio Sergipe e à biodiversidade local. As faixas verde e amarela fazem referência a Sergipe, enquanto o brasão ocupa o espaço que, na bandeira estadual, é reservado às estrelas que representam os rios sergipanos.

O brasão reúne símbolos associados à história e às características de Aracaju. Os cavalos-marinhos representam a biodiversidade; a engrenagem remete à indústria; o cata-vento faz referência às antigas salinas, especialmente nas áreas do Porto Dantas e do Coqueiral; e a cruz simboliza a fé cristã. O lema “Labor et Pax”, traduzido como trabalho e paz, também integra a composição.

Embora a Lei Orgânica do Município previsse a existência de hinos ligados aos símbolos cívicos oficiais, Aracaju contava até então com obras de caráter comemorativo, como as produzidas para o centenário e o sesquicentenário. Esses hinos mencionavam nos próprios textos as datas para as quais haviam sido criados. Para o procurador do município Lucas Fialho, a nova lei estabelece uma distinção jurídica e histórica ao oficializar uma composição sem vinculação a uma celebração específica.

Com a sanção da lei e a inclusão da letra e da partitura no texto legal, a capital sergipana passa a reunir formalmente os três símbolos cívicos: bandeira, brasão e hino. A composição selecionada por concurso deverá ser utilizada como representação oficial da cidade em ocasiões compatíveis com essa finalidade.

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