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Educação

Bactérias reduzem pela metade água da irrigação da melancia em Sergipe

Pesquisa da UFS no Alto Sertão de Sergipe testa bactérias do gênero Bacillus para ampliar o intervalo entre irrigações da melancia; em resultados iniciais, alguns tratamentos reduziram pela metade o volume de água sem queda observada na produção.

Rafaela e melancias
Crédito da imagemNão informado na origem
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Uma pesquisa desenvolvida no Campus do Sertão da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em Nossa Senhora da Glória, testa o uso de bactérias encontradas no Alto Sertão para reduzir o consumo de água na produção de melancia. Nos primeiros resultados, alguns tratamentos permitiram diminuir em cerca de 50% o volume aplicado na irrigação, sem queda observada na produtividade. As orientações aos produtores ainda dependem da conclusão dos experimentos e poderão começar a ser repassadas, possivelmente, no início de 2027.

O estudo faz parte da tese de doutorado da engenheira agrônoma Rafaela Aparecida Frazão Torres, doutoranda em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O trabalho, intitulado “Uso de Bioestimulantes na Otimização do Uso da Água, Produção e Qualidade da Melancieira cv. Manchester”, avalia se os microrganismos conseguem aumentar a tolerância das plantas ao déficit hídrico e manter o desenvolvimento da cultura em períodos maiores sem irrigação.

Os pesquisadores comparam irrigações diárias com intervalos de três, cinco e sete dias. No primeiro experimento, realizado durante parte do período chuvoso, as plantas tratadas apresentaram bom desempenho mesmo no maior intervalo testado. Segundo Rafaela, houve plantas que permaneceram sete dias sem receber água e ainda produziram bem. Os resultados, porém, continuam em avaliação, e os próximos testes devem indicar quais microrganismos e manejos apresentam melhor desempenho.

As bactérias foram isoladas no Alto Sertão pelo engenheiro agrônomo Walisson Vieira, CEO da BiotechSe Biotecnologia Agroindustrial, empresa instalada no SergipeTec, em Aracaju. Antes de serem utilizadas nos experimentos, elas passam por identificação e análises para verificar sua eficiência e descartar microrganismos que possam ser patogênicos. Os organismos testados pertencem ao gênero Bacillus. Dependendo da interação com a planta, eles podem ser aplicados nas sementes, no sulco de plantio ou diretamente no solo, como ocorre na pesquisa conduzida por Rafaela.

O professor Marcos Eric Barbosa Brito, da UFS, orienta a tese e é pesquisador do CNPq e integrante do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Agricultura Sustentável (INCTAgriS). Ele estima que, em períodos de maior demanda, uma planta nas condições estudadas possa precisar de aproximadamente 25 litros de água por dia. Com alguns dos tratamentos, o volume caiu para uma faixa entre 12 e 13 litros, enquanto foram obtidos frutos com cerca de 11 a 12 quilos.

A redução do volume irrigado pode diminuir o tempo de funcionamento dos equipamentos e, consequentemente, os gastos com energia, além de melhorar o aproveitamento da água disponível. Para produtores com acesso limitado ao recurso, o pesquisador afirma que a tecnologia poderá permitir a ampliação da área cultivada ou a redução dos custos de produção. Essa possibilidade ainda depende da confirmação dos resultados em diferentes condições e da definição dos microrganismos mais eficientes.

A pesquisa foi motivada pelas limitações hídricas do semiárido. De acordo com Marcos Eric, a demanda potencial de água das plantas na região, medida pela evapotranspiração, supera 2.000 milímetros, enquanto o volume anual de chuvas fica em torno de 700 a 750 milímetros. O pesquisador também aponta que poços podem ter baixa vazão ou apresentar água salobra. Nesse cenário, o objetivo é tornar a irrigação mais eficiente, sem eliminar a necessidade de fornecimento de água para a cultura.

A melancia foi escolhida por ter ciclo relativamente curto, estimado entre 60 e 70 dias, boa aceitação comercial e potencial para mais de um cultivo por ano quando há disponibilidade de irrigação. Em 2024, Sergipe produziu 3.326 toneladas da fruta em 155 hectares, segundo dados da Produção Agrícola Municipal do IBGE. O volume correspondeu a cerca de 0,45% das 731.087 toneladas produzidas pelo Nordeste, região responsável por aproximadamente 37% da produção brasileira.

O segundo experimento será realizado entre setembro e dezembro, durante o período seco, e o terceiro está previsto para começar por volta de fevereiro de 2027. Ao final, os resultados poderão ser apresentados aos agricultores em dias de campo, cartilhas e outras ações de extensão. A pesquisadora Rafaela acompanha os testes em Nossa Senhora da Glória desde dezembro e afirma que a proximidade com o semiárido permite relacionar os resultados da universidade às dificuldades enfrentadas pelos produtores.

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