Flávio Bolsonaro relata intimação da PF e confirma saída do Brasil para os EUA
Em transmissão nas redes sociais, senador disse que decidiu deixar o país após ser intimado a entregar os passaportes, mas não explicou como organizou a viagem com a família nem detalhou o apoio recebido no trajeto.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) falou pela primeira vez após deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos. Em uma live no Instagram, ele relatou ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes e afirmou que decidiu sair do país depois de conversar com a esposa. Flávio, no entanto, não apresentou detalhes sobre a articulação, o financiamento ou a logística da viagem.
Segundo o senador, ele permaneceu por cerca de 30 minutos na casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e deixou o local por volta das 10h30. Ao sair, teria sido informado de que precisava falar com agentes da Polícia Federal. Flávio afirmou que Jair presenciou a intimação e que, depois do episódio, disse ao pai: “Já sei onde eles querem chegar e já sei o que tenho que fazer”.
O senador contou que, ao chegar em casa, conversou com a mulher, Fernanda, e tomou a decisão de deixar o Brasil. A transmissão não esclareceu como a saída foi organizada nem informou quem participou diretamente da operação. O governo argentino confirmou que Flávio viajou por terra até a Argentina com a esposa e as duas filhas.
A família embarcou em um avião privado na Argentina na noite de terça-feira (27). A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e teve o plano de voo atualizado para Miami. O avião pousou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, às 9h23 no horário local de quarta-feira (28), ou 10h23 no horário de Brasília, segundo dados de rastreamento de voos.
Reportagem do The New York Times afirmou que o jato usado no deslocamento teria sido providenciado por Jason Miller, conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com o jornal, Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-deputado que vive nos Estados Unidos, manteve contato com Miller. Autoridades americanas ouvidas pela publicação disseram que Trump garantiu a entrada do senador no país.
Flávio teria apresentado um passaporte diplomático brasileiro, embora o documento já tivesse sido cancelado pela Polícia Federal na segunda-feira, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O Departamento de Estado americano e fontes da Casa Branca informaram ao UOL que os Estados Unidos emitiriam vistos para o senador e seus familiares.
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio publicou uma carta na qual inicialmente se identificou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em uma versão posterior, passou a se apresentar como “líder do Brasil”. Na live, voltou a defender o senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado e disse que o Congresso deveria ser a principal frente de resistência ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Fontes da reportagem
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