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Economia

Fábio Barbosa prevê crescimento fraco para o Brasil com juros altos e pressão fiscal

Presidente do conselho da Natura e ex-presidente do Santander Brasil avalia que o país não caminha para uma ruptura econômica, mas pode enfrentar baixo crescimento caso mantenha gastos elevados e necessidade de financiamento, segundo entrevista à BBC News Brasil.

Fábio Coletti Barbosa, um homem de camisa social azul com listras brancas, de cabelos grisalhos, está de braços cruzados em frente a uma estante de livros
Crédito da imagemLegenda da foto, Fábio Barbosa se diz a favor das políticas sociais do governo, mas vê a necessidade de um 'pente-fino'
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Segundo Barbosa, o país possui fatores que reduzem o risco de uma crise de ruptura, como contas externas em ordem, inflação sob controle, independência do Banco Central, produção relevante de petróleo, agricultura forte, oferta abundante de energia e produção robusta de metais. Ele também citou a abertura de novos mercados pelo governo como um elemento positivo para a economia.

Na avaliação do executivo, porém, esses pontos não eliminam os efeitos de uma política fiscal que, segundo ele, amplia os compromissos futuros sem apresentar um ajuste claro das contas públicas. Barbosa disse que o mercado reagiu à vitória de Lula com preocupação sobre a continuidade do aumento de gastos e a consequente manutenção dos juros em níveis elevados, cenário que considera prejudicial à economia e ao mercado de ações.

Barbosa afirmou que a equipe ligada à candidatura de Flávio Bolsonaro havia sinalizado a intenção de enfrentar o desequilíbrio fiscal, embora também houvesse dúvidas sobre outras propostas e preocupações relacionadas à questão ambiental. Em relação ao governo Lula, ele disse que o compromisso com a responsabilidade fiscal só passou a ser mencionado depois da eleição, por meio de declarações do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.

Para reduzir a pressão sobre as contas públicas, o conselheiro defendeu uma reforma administrativa, o corte de benefícios adicionais no Judiciário e uma revisão dos programas sociais. Ele afirmou que existem casos de pessoas que receberiam benefícios de forma indevida, citando como exemplos trabalhadores sem registro e separações formais feitas, segundo sua avaliação, para permitir o acesso de mais de uma pessoa a um programa.

O executivo disse ser favorável às políticas sociais, mas defendeu que os benefícios sejam submetidos a um “pente-fino” para corrigir distorções e direcionar os recursos ao público-alvo. Também mencionou a possibilidade de calibrar o valor do Bolsa Família conforme as necessidades dos beneficiários, em vez de adotar um valor uniforme, e afirmou que o desafio é combinar a renda mínima com mecanismos que favoreçam a saída dos programas.

A crítica central de Barbosa é que o aumento dos gastos públicos, sem expansão correspondente da produção e dos investimentos, pode pressionar a inflação. Em uma comparação usada na entrevista, ele afirmou que, se mais pessoas tiverem dinheiro para comprar determinados produtos sem que a oferta aumente, os preços tendem a subir. Nesse cenário, o Banco Central poderia elevar os juros para conter a inflação, encarecendo o crédito e afetando principalmente a população de menor renda.

Para o administrador, uma política de gastos mais contida poderia contribuir para inflação e juros menores, favorecendo o crescimento e a criação de oportunidades. Ele também defendeu a atuação do governo em áreas como educação e saneamento básico, mas avaliou que a simples injeção de recursos na economia não resolve a pobreza. Sobre a reforma tributária aprovada no governo Lula, Barbosa classificou a medida como um avanço e uma iniciativa de simplificação, embora ainda insuficiente e sujeita a ajustes.

Barbosa considera que 2027 poderá ser um ano difícil do ponto de vista econômico caso o modelo atual seja mantido. Apesar da previsão, ele não projetou um cenário catastrófico: sua avaliação é que o país dispõe de bases econômicas capazes de evitar uma quebra, mas terá desempenho limitado se não reduzir a pressão fiscal e os custos associados aos juros altos.

Fontes da reportagem

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