Embargo da União Europeia a produtos animais afeta US$ 1,84 bilhão em vendas do Brasil
O embargo da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil passou a valer nesta quinta-feira (3) e atinge exportações avaliadas em US$ 1,84 bilhão em 2025, sobretudo carnes bovina e de frango. O bloco cobra garantias sobre o uso de substâncias antimicrobianas no processo produtivo.

O embargo da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil passou a valer nesta quinta-feira (3) e afeta exportações brasileiras estimadas em US$ 1,84 bilhão em 2025, com impacto principal sobre as vendas de carne bovina e de frango.
Segundo os dados citados pelo Ministério da Agricultura, a carne bovina responde por US$ 1,05 bilhão desse total, enquanto a carne de frango soma US$ 763 milhões. O mercado europeu é mais relevante para cortes de maior valor agregado, apontam as informações disponíveis.
A restrição foi anunciada em maio e começou a valer agora depois de o governo brasileiro não apresentar garantias sobre a não utilização de substâncias antimicrobianas proibidas pela UE no processo produtivo. A Comissão Europeia não informou prazo para eventual suspensão da medida.
Desde o anúncio do embargo, o governo brasileiro intensificou negociações com os europeus. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre a criação de um mecanismo bilateral para identificar dificuldades no comércio de produtos de origem animal.
Nesta semana, uma missão de técnicos europeus inspecionou sistemas de produção de carne de frango e de mel no Brasil. Segundo a Comissão Europeia, os inspetores ainda precisam elaborar suas conclusões, sem decisão imediata esperada.
As entidades do setor também apresentaram suas posições. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que a avicultura brasileira cumpre integralmente os requisitos da União Europeia para importação de carne de frango. Já a Abiec, que representa produtores de carne bovina, informa ter construído um protocolo privado de controle sobre o uso de antimicrobianos, aderido por 100% das empresas associadas habilitadas ao mercado europeu, segundo a entidade.
A União Europeia veta o uso de substâncias que podem estimular o crescimento animal e também proíbe antimicrobianos reservados ao tratamento humano, como antibióticos. Para o bloco, o uso excessivo desses medicamentos pode favorecer bactérias resistentes e dificultar o tratamento de infecções em pessoas.