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Educação

Cursinhos populares ampliam preparação para o Enem entre estudantes de baixa renda

Rede apoiada pelo Ministério da Educação reúne 1.535 unidades e atende mais de 58 mil estudantes da rede pública, com bolsas de permanência e suporte pedagógico para pessoas que enfrentam barreiras financeiras ou retomaram os estudos depois de anos.

Brasília (DF), 25/06/2026 – Alunos do ensino médio do CED 16, na Ceilândia, aproveitam o segundo semestre letivo para intensificar a preparação em sala de aula visando o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vestibulares, Programa de Avaliação Seriada (PAS/UnB) e outros processos seletivos de ingre
Crédito da imagemNão informado na origem
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A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reúne, em cursinhos populares, estudantes de diferentes idades e trajetórias que buscam uma oportunidade no ensino superior. Em Ceilândia, no Distrito Federal, o Jovem de Expressão oferece aulas gratuitas para candidatos como Raimundo dos Santos Nascimento, de 62 anos, que pretende disputar uma vaga no curso de psicologia da Universidade de Brasília (UnB).

Raimundo está entre os 13.821 candidatos do Enem 2026 com mais de 60 anos. Nascido no Rio de Janeiro, ele vive em Brasília há 16 anos e passou cerca de seis deles em situação de rua. A retomada dos estudos começou no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) e na Escola de Meninos e Meninas do Parque, onde concluiu o ensino fundamental. Em 2020, obteve 640 pontos na redação do Enem e decidiu continuar a preparação. “Agora, com 62 anos, eu me sinto jovem”, afirmou.

Com 17 anos de atuação, o Jovem de Expressão prepara alunos para o Enem, o Programa de Avaliação Seriada (Pas) da UnB e outros vestibulares. A unidade integra a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), do Ministério da Educação, formada por 1.535 cursinhos e voltada a mais de 58 mil estudantes que fizeram a educação básica na rede pública. A prioridade é para pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e integrantes de famílias de baixa renda, definida pela rede como renda mensal de até um salário mínimo por pessoa, equivalente a R$ 1.621 em 2026.

A oferta gratuita atende também quem precisa conciliar o estudo com o trabalho. A diarista Márcia Regina Carvalho Damasceno Dias voltou a estudar depois de duas décadas, incentivada pela filha, que está na faculdade. Ela trabalha de segunda a sábado e quer cursar nutrição. Após fazer o Enem no ano anterior sem alcançar a nota esperada, entrou no cursinho já na etapa final da preparação. “É um momento divisor de águas, porque estou com a expectativa lá em cima”, disse.

Na mesma turma está Gilmara Pereira Braga, de 47 anos, que trabalha como caixa de supermercado e concluiu o ensino médio em 2000. Ela afirma que tinha medo de matemática antes de começar as aulas e pretende estudar psicologia na UnB para trabalhar com educação especial. O produtor musical e DJ Miguel Lacerda, de 20 anos, frequenta o Jovem de Expressão há dois anos e vê o curso como uma alternativa acessível para um estudante periférico que não teria condições de pagar um preparatório particular.

O programa oferece recursos de até R$ 163,2 mil por unidade selecionada para despesas com professores, coordenação, apoio técnico-administrativo e materiais. Segundo o coordenador pedagógico do projeto em Ceilândia, Rodrigo da Silva Soares, o financiamento ajuda a manter as atividades e permite custear despesas como transporte e alimentação de voluntários, além de saídas de campo. A rede reúne mais de 21 mil educadores e integrantes de equipes de apoio pedagógico em todo o país.

No Jovem de Expressão, a estrutura inclui organização de simulados e aulões de revisão, além do acompanhamento das necessidades dos estudantes. A apoiadora pedagógica Maria Paula Cândida Reis afirma que o trabalho considera as experiências dos alunos e a diversidade de idades da turma. Para ela, o cursinho também promove a troca entre pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar em outra fase da vida.

O apoio inclui ainda atendimento psicológico e auxílio-permanência de R$ 200 por mês, durante seis meses, para estudantes matriculados nos cursinhos selecionados pelo MEC, limitado a 40 beneficiários por instituição. A psicóloga Yasmin Moreira conduz rodas de conversa sobre ansiedade, sobrecarga e medo da reprovação. Entre os estudantes que recebem o auxílio está Victória Santos, de 16 anos, dançarina de hip-hop que deixou um estágio na reta final da preparação e pretende cursar artes cênicas na UnB. Ela afirma que o recurso tem ajudado nas despesas pessoais e domésticas.

Fontes da reportagem

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