Derrota democrata nas eleições de meio de mandato limita espaço de Trump no Congresso
A vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, 3 de novembro de 2026, deixou o presidente Donald Trump enfraquecido politicamente. O partido retomou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, ampliando a capacidade do Congresso de fiscalizar a Casa Branca e de pressionar o governo nos dois últimos anos do mandato.

Na noite da eleição, Trump parabenizou os democratas e afirmou estar disposto a trabalhar com eles. A mudança de tom ocorreu após uma campanha marcada por confrontos e diante da necessidade de negociar com um Congresso controlado pela oposição. Segundo Peter Loge, diretor da Escola de Mídia e Assuntos Públicos da Universidade George Washington, o presidente costuma reagir ao cerco político elevando o tom e partindo para o confronto.
A derrota também reduz a margem de manobra de Trump para aprovar projetos de sua agenda. O presidente ainda conserva o poder de veto sobre propostas aprovadas pelo Congresso e tem se vangloriado dessa prerrogativa. Veículos de comunicação informaram que o governo planeja recorrer a decretos presidenciais para impulsionar políticas migratórias rigorosas, como fez nos primeiros 100 dias de seu segundo mandato.
A guerra contra o Irã aparece entre os fatores apontados para o resultado eleitoral. Analistas ouvidos pela agência AFP disseram que muitos republicanos atribuem parte da derrota ao conflito. Trump iniciou, em conjunto com Israel, uma campanha militar contra o Irã em fevereiro e declarou que ainda busca um acordo para encerrá-la. À Fox News, afirmou que poderia retomar os ataques caso não houvesse entendimento e que terminaria o trabalho iniciado.
A política externa continua sendo uma área em que o presidente mantém amplos poderes. Trump também descartou especulações sobre uma eventual demissão do secretário de Defesa, Pete Hegseth, caso a guerra se prolongue. Para Ryan Hass, da Brookings Institution, o presidente pretende ser lembrado como alguém que fortaleceu os Estados Unidos, e não como um belicista.
A derrota eleitoral pode afetar a influência de Trump nas negociações internacionais. Ele deseja ser visto como um pacificador e poderia pressionar a Ucrânia a aceitar algum tipo de acordo com a Rússia. Conversas trilaterais estavam previstas para a semana seguinte, em Abu Dhabi. O revés ocorreu menos de duas semanas antes da provável reunião entre Trump, o presidente chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin, em uma cúpula prevista para Shenzhen, na China.
Com o espaço político reduzido, Trump também pode concentrar atenção em projetos de sua preferência em Washington. No último discurso antes da votação, falou sobre a reforma do espelho d'água do Memorial Lincoln e sobre outras obras na capital. O projeto mais ambicioso citado é um salão de festas de US$ 400 milhões em construção na Casa Branca, com conclusão esperada até o fim de 2028, antes da saída do presidente do cargo.
Fontes da reportagem
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