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Economia

André Lara Resende defende redução dos juros para conter desequilíbrio fiscal

Economista que participou da elaboração do Plano Real afirma que o custo dos juros, e não as despesas primárias, é o principal fator de pressão sobre as contas públicas. Banco Central sustenta que a Selic elevada é necessária para controlar a inflação e responde às pressões fiscais.

Brasília (DF), 11/07/2025 - Edifício do Banco Central. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
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Lara Resende contesta a justificativa usada pelo mercado financeiro e pelo Banco Central para manter a Selic em 13,75% ao ano. Segundo ranking da Moneyou citado no artigo, o Brasil tinha a maior taxa de juros real do mundo. Para o economista, o custo financeiro da dívida é o principal responsável pelo aumento do déficit nominal e pela deterioração das contas públicas.

O economista reconhece que o país tem problemas na qualidade dos gastos e menciona, entre outros exemplos, emendas parlamentares, vantagens salariais do Judiciário e isenções tributárias. Ele sustenta, porém, que o déficit primário brasileiro, calculado sem considerar os gastos com juros, é pequeno em comparação com o de outros países. Nessa avaliação, as contas públicas ficam próximas do equilíbrio quando o serviço da dívida é excluído.

A dívida pública brasileira passou de 71,7% do Produto Interno Bruto em 2022 para cerca de 82,9% do PIB em agosto de 2026, segundo os dados apresentados no material. Analistas do mercado financeiro têm defendido cortes nas despesas da União para conter esse avanço, medida que pode afetar políticas sociais. Lara Resende afirma que não há redução de gastos primários capaz de interromper o crescimento da dívida em relação ao PIB sem uma queda dos juros para um nível próximo ao crescimento nominal da economia.

O autor também afirma que, nos últimos anos, com exceção do período da pandemia de covid-19, o resultado primário foi apenas ligeiramente negativo. Já o déficit nominal, que inclui o custo dos juros, teria permanecido elevado e se aproximado de 10% do PIB. Nos 12 meses anteriores à publicação, os juros teriam consumido mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento, o equivalente a 8,9% do PIB.

O Banco Central justifica a manutenção de juros altos pela necessidade de controlar a inflação. A Selic elevada reduz o crescimento econômico e a demanda, segundo a autoridade monetária, o que contribui para desacelerar os preços. Os comunicados do Comitê de Política Monetária também apontam o aquecimento da economia e do mercado de trabalho, além da trajetória dos gastos públicos, como fatores de pressão inflacionária.

De acordo com a última ata do Copom citada no material, a perda de força nas reformas estruturais e na disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros. A autoridade monetária considera que déficits primários, quando as despesas superam as receitas sem incluir os gastos com a dívida, pressionam a inflação.

Lara Resende questiona a ideia de que o Banco Central não teria outra alternativa para controlar os preços além de manter juros elevados. Ele afirma que a relação entre desemprego e inflação usada em modelos macroeconômicos convencionais perdeu força. O economista admite que uma redução dos juros pode provocar aumento temporário da inflação, mas avalia que esse efeito seria de curto prazo.

Como alternativa, o economista propõe um regime fiscal e monetário com metas conjuntas para inflação, juros e resultado das contas públicas, definidas para períodos de quatro a cinco anos. Pela proposta, a taxa básica ficaria em um intervalo entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial da economia. Ele também defende a atuação do Banco Central no mercado de câmbio para evitar uma depreciação intensa do real e afirma que as reservas internacionais, superiores a US$ 350 bilhões, dariam margem para esse tipo de intervenção.

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