Lula defende uso de emendas para tarifa zero e propõe mudanças na segurança pública
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira (19), de uma sabatina no SBT Brasil, seis dias antes do segundo turno da eleição presidencial, no qual enfrenta o senador Flávio Bolsonaro. Durante a entrevista, o petista tratou de segurança pública, emendas parlamentares, contas públicas, jornada de trabalho e propostas econômicas aprovadas ou anunciadas nas semanas anteriores à votação.

Lula reconheceu que esperava obter um resultado melhor no primeiro turno, mas negou ter subestimado a força eleitoral de Flávio Bolsonaro e da direita. Segundo o presidente, a mobilização de sua campanha aumentou depois da votação de 4 de outubro. Ele afirmou que pretende recuperar apoio no Sul, ampliar a participação de governadores do Nordeste, vencer em Minas Gerais e reduzir a vantagem do adversário em São Paulo.
Lula disse ainda que o aumento do teto de faturamento dos microempreendedores individuais e outras propostas já estavam em tramitação no Congresso antes do primeiro turno. Para o presidente, a aprovação posterior à votação não significaria que as medidas foram motivadas pelo resultado eleitoral. Ele afirmou que os benefícios continuariam independentemente do desfecho da disputa.
Na área fiscal, o presidente negou que o aumento da dívida pública e os gastos com as medidas anunciadas possam provocar uma crise em 2027. Lula declarou que as propostas estão dentro das possibilidades orçamentárias e mencionou uma previsão de superávit primário de 0,1%, em contraste com o déficit de 2,8% que disse ter encontrado ao assumir a Presidência. Para defender sua posição, citou os superávits registrados durante seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010.
O presidente também criticou a autonomia do Banco Central e afirmou que o governo deveria participar das discussões sobre política monetária. Na entrevista, disse que o sistema financeiro concentra as cobranças sobre o resultado fiscal sem discutir, na avaliação dele, os valores pagos pelo governo aos credores da dívida pública. Lula também defendeu o fim da escala 6×1 e afirmou que mudanças nas condições de trabalho costumam enfrentar resistência de setores empresariais.
Sobre o transporte público, Lula afirmou que pretende usar recursos de emendas parlamentares para oferecer gratuidade aos fins de semana. O presidente reconheceu que a proposta deve enfrentar resistência no Congresso, mas disse acreditar que deputados e senadores aceitarão destinar parte dos recursos ao programa. A medida foi apresentada por ele como complemento ao fim da escala 6×1, sob o argumento de que os trabalhadores precisam ter condições financeiras para aproveitar os dias de descanso. Segundo estimativa do deputado Jilmar Tatto (PT-SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, o custo seria de R$ 16 bilhões por ano, cerca de 26% dos R$ 61 bilhões previstos para emendas no Orçamento de 2026.
Lula confirmou ainda a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança, independentemente do resultado eleitoral. No campo institucional, voltou a mencionar uma reforma do Judiciário que poderia discutir mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal e ampliar a participação da sociedade na escolha dos integrantes da Corte. O presidente também desafiou Flávio Bolsonaro a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares. Flávio foi convidado para participar de uma sabatina no SBT na quarta-feira (21), mas, segundo a emissora, ainda não havia confirmado presença.