Brasil reforça vacinação e vigilância após aumento do sarampo nas Américas
O Ministério da Saúde reforçou a vacinação e a vigilância contra o sarampo diante do avanço da doença nos Estados Unidos e em outros países das Américas. Até 5 de outubro de 2026, o Brasil havia registrado 52 casos importados, sendo 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro. As medidas buscam impedir que o vírus volte a circular de forma sustentada no país.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o país registra em 2026 o maior número anual de casos de sarampo em mais de 35 anos. Mais de 90% dos casos correspondem a pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida. A maioria dos pacientes tem até 19 anos.
As equipes de saúde também realizam bloqueios vacinais e ampliam a oferta de doses em espaços públicos e locais de grande circulação. Em São Paulo, a estratégia foi reforçada na capital, em Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santo André. A ação inclui a chamada dose zero para crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias. Essa aplicação é adicional às doses previstas no calendário de rotina, administradas aos 12 e aos 15 meses.
A cobertura vacinal infantil apresentou melhora desde 2023, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O número de crianças brasileiras sem nenhuma dose da vacina DTP, chamadas de crianças zero-dose, caiu de 360 mil em 2023 para 255 mil em 2024 e 50 mil em 2025, uma redução de cerca de 86%. Em 2024, o Brasil deixou a relação dos 20 países com mais crianças não imunizadas no mundo, conforme as duas organizações.
Em 2025, a primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, alcançou cobertura de 93,10% no Brasil. O índice chegou a 94,39% em São Paulo e a 89,54% no Amazonas. A vacina está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde. Pessoas com doses atrasadas devem procurar uma unidade de saúde para atualizar a caderneta, de acordo com as recomendações do Programa Nacional de Imunizações. O Ministério da Saúde mantém a orientação para que estados e municípios localizem quem ainda não recebeu a proteção e preservem a vigilância diante do risco de novos casos importados.