Probabilidade do El Niño ser muito forte passa de 90%
Projeções indicam El Niño muito forte na primavera e no verão de 2026-2027, com possibilidade de chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no Norte e Nordeste. O cenário também eleva a atenção para secas, incêndios, redução da disponibilidade hídrica e inundações.

A probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026-2027 no Hemisfério Sul passou de 90%, segundo a nova projeção do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, divulgada em 10 de setembro de 2026.
As estimativas também apontam uma alta possibilidade de que o fenômeno seja o mais intenso registrado desde 1950. A projeção divulgada pelo CPC/NOAA indica 75% de probabilidade para esse cenário. Já o boletim de agosto do Painel El Niño, divulgado por instituições brasileiras, registra uma estimativa de 69% da NOAA para o mesmo evento.
O monitoramento mostra que o La Niña terminou em abril de 2026. Entre maio e julho, a possibilidade de formação do El Niño chegou a 61%. Em maio, subiu para 82%. Em junho, as condições do fenômeno já eram observadas, ainda em fase inicial, com previsão de fortalecimento rápido no fim do ano e no verão de 2026-2027.
Em agosto, o fenômeno se intensificou, com anomalias superiores a 3 graus Celsius na temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Leste. Modelos climáticos indicam que o El Niño deve permanecer pelo menos até o início de 2027.
No Brasil, a previsão para setembro, outubro e novembro de 2026 indica maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. A região Sul também enfrenta maior risco de chuvas intensas, inundações e movimentos de massa, especialmente no Rio Grande do Sul.
Para o Norte e o Nordeste, a previsão indica chuvas abaixo da média. O déficit também pode atingir áreas do Brasil Central e do Sudeste, incluindo partes de Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo. As temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do país.
Na Amazônia Legal e no Pantanal, a combinação de menos chuva e temperaturas elevadas pode prolongar a estação seca, reduzir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais. Em julho de 2026, 157 municípios brasileiros estavam classificados em situação de seca severa. A intensificação atingia principalmente o Tocantins e municípios da Bahia, de Sergipe, Goiás, Alagoas e Mato Grosso.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a redução das chuvas no Norte e no Nordeste pode diminuir os níveis dos rios e afetar a navegação, o acesso a comunidades, a pesca e o abastecimento de água. Nas áreas mais ao Sul, o excesso de chuva pode elevar o risco de enchentes e causar danos a estruturas usadas pela pesca e pela aquicultura. O monitoramento climático e hidrológico deve considerar os efeitos diferentes do fenômeno em cada região.