André Mendonça, o ministro “terrivelmente evangélico” do Supremo que molda a eleição no Brasil – UOL Notícias
Indicado por Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal, André Mendonça se tornou uma das principais vozes conservadoras da Corte e passou a ocupar o centro de uma crise envolvendo a Polícia Federal, Alexandre de Moraes e a disputa eleitoral entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou projeção entre setores da direita brasileira às vésperas das eleições de 4 de outubro. Em um ato de apoio ao candidato presidencial Flávio Bolsonaro, realizado em São Paulo, um balão gigante com a imagem do magistrado dominou a multidão, embora ele não estivesse presente.
Único integrante assumidamente evangélico da Suprema Corte, Mendonça foi indicado ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro, em 2021, após ter chefiado a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça. Bolsonaro havia prometido nomear um ministro “terrivelmente evangélico”.
Na quarta-feira, o ministro Flávio Dino, indicado por Lula, determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo. Sem citar Mendonça nominalmente, Dino afirmou que magistrados devem evitar decisões que possam ser utilizadas em propaganda política, comícios ou eventos de campanha. Mais tarde, o presidente do STF, Edson Fachin, cassou as liminares de Mendonça e Dino sobre a permanência do diretor-geral da PF e suspendeu o caso relacionado ao relatório sobre Vorcaro.
A disputa expôs divergências dentro do Supremo sobre a atuação de Mendonça. Fontes do tribunal, da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República ouvidas pela Reuters manifestaram preocupação de que as decisões do ministro possam contribuir para a derrota eleitoral de Lula e fortalecer posições conservadoras na Corte. Dois aliados de Mendonça rejeitaram essa interpretação e o descreveram como um juiz independente.
A crise ocorre em um momento em que o próximo presidente poderá indicar pelo menos três dos 11 ministros do STF. As nomeações têm potencial para alterar o equilíbrio ideológico do tribunal por vários anos, ampliando a importância política das decisões e das alianças que se formam dentro da Corte.
Mendonça, que também era pastor auxiliar em uma igreja de São Paulo, costuma evitar confrontos públicos com os colegas. Em um sermão recente, afirmou que um líder íntegro é alguém em quem se pode confiar. Ao recordar uma conversa com Bolsonaro antes de sua nomeação, disse que há momentos para ser “cordeiro” e momentos para ser “leão”, e que identificar o momento exige sabedoria.