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Saúde

Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

O Brasil reduziu a distância em relação à média da OCDE no Pisa entre 2006 e 2025, sobretudo porque os resultados brasileiros ficaram relativamente estáveis enquanto a média internacional caiu. O país, porém, continua abaixo da média nas três áreas avaliadas e mantém baixa proporção de estudantes nos níveis básicos de proficiência.

Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo
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O Brasil manteve em 2025 resultados semelhantes aos de 2022 no Pisa e reduziu a distância em relação à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no longo prazo. A aproximação ocorreu principalmente porque o desempenho médio da organização recuou, especialmente em matemática, enquanto os resultados brasileiros permaneceram relativamente estáveis.

Os estudantes brasileiros obtiveram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média de 23 países da OCDE foi de 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Como cada 20 pontos correspondem aproximadamente a um ano escolar, o resultado de matemática representa uma defasagem de cerca de 4,6 anos em relação à média desses países.

Na comparação entre 2006 e 2025, a diferença em leitura caiu de 102 para 58 pontos; em matemática, de 131 para 92; e, em ciências, de 113 para 77. Para Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), o Brasil apresentou melhora no longo prazo, sobretudo em leitura e ciências, mas parte relevante da redução da distância ocorreu pela queda da média da OCDE.

Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, afirmou que o país evitou uma piora, porém ainda precisa obter ganhos consistentes de aprendizagem. Segundo ele, a proporção de estudantes abaixo dos níveis mínimos de proficiência continua elevada, principalmente em matemática e leitura, e as desigualdades de desempenho permanecem importantes. Proto também relacionou o cenário aos impactos da pandemia sobre a trajetória escolar da geração avaliada e defendeu a recomposição das aprendizagens.

A situação é especialmente crítica em matemática. Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, considerado o mínimo. Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da CASIO Educação, disse que o país precisa transformar a estabilidade dos resultados em crescimento da aprendizagem, com avanço na capacidade de interpretar situações, relacionar informações e escolher estratégias de resolução. Ele também apontou a baixa presença de estudantes nos níveis mais altos de proficiência.

As desigualdades socioeconômicas aparecem nos resultados. Em ciências, a diferença entre os 25% de estudantes mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chegou a 96 pontos, de acordo com Fulgêncio. O número equivale a quase cinco vezes os 20 pontos associados, em média, a um ano escolar.

O Pisa 2025 avaliou 760 mil estudantes de 91 países. No Brasil, participaram 30.140 alunos, dos quais 72,4% estudavam na rede estadual. Quase todas as escolas estaduais participantes, 96,9%, ficavam em áreas urbanas, e 84,7% dos estudantes estavam na 1ª ou na 2ª série do ensino médio. As provas foram aplicadas entre abril e maio de 2025, com foco no letramento em ciências.

Os questionários aplicados junto com a prova também trataram do uso de celulares. Entre os brasileiros avaliados, 81% frequentavam escolas com restrições ao uso desses dispositivos, ante 37% em 2022 e 49% na média da OCDE. O Ministério da Educação informou que o percentual está alinhado a evidências segundo as quais estudantes de escolas com esse tipo de regra relatam menos distrações digitais.

A avaliação identificou ainda que a ocorrência da chamada leitura apressada, quando o estudante lê rapidamente e de forma imprecisa, quase dobrou entre 2018 e 2025. A OCDE registrou fragilidades crescentes na capacidade de avaliar informações, relacionar fontes e pensar criticamente sobre o que é lido. Enquanto 28% dos estudantes disseram que os colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de ciências, 46% afirmaram usar inteligência artificial semanalmente ou com maior frequência para estudar. Para Fulgêncio, o resultado indica que o acesso à tecnologia não assegurou, por si só, maior aprendizagem e exige atenção à capacidade de sustentar a concentração, ler com profundidade e avaliar informações.

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