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Professores recorrem à inteligência artificial para criar atividades e aproximar…

Experiências em escolas de São Paulo e do Distrito Federal mostram usos da inteligência artificial no planejamento de aulas, na adaptação de avaliações e na criação de jogos educat

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A professora Giovanna Macedo, de Campinas (SP), usou inteligência artificial para representar seus 31 alunos do 4º ano do ensino fundamental, com idades entre 9 e 10 anos, em profissões que eles imaginavam exercer no futuro.

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A atividade foi feita a partir de fotos tiradas em 2025 na Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink, localizada em um bairro de periferia do município. Com auxílio do ChatGPT, Giovanna produziu um vídeo que mostrava as crianças adultas em ocupações escolhidas por elas.

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As respostas incluíram jogador de futebol, astronauta, veterinária, bailarina, cantor e artista. As reações dos estudantes foram registradas em vídeo, que se espalhou pelas redes sociais.

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Segundo a professora, a proposta era permitir que a turma visualizasse uma etapa da vida ainda distante e se sentisse valorizada. Giovanna tem 27 anos e atua no magistério desde 2018.

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Ela afirma que ainda não possui capacitação específica em inteligência artificial, mas acompanha as novidades e utiliza recursos tecnológicos para criar materiais visuais e desenvolver ideias para as aulas.

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Depois da repercussão da atividade, passou a considerar uma especialização em metodologias e didática relacionadas à tecnologia.

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Para Kassula Correa, diretora-geral da Start Anglo Bilingual School, no Rio de Janeiro, a presença de dispositivos digitais na rotina das crianças exige orientação escolar.

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Segundo ela, a facilidade para usar um celular não garante que o estudante saiba pesquisar com profundidade, reconhecer uma informação falsa ou avaliar os riscos de compartilhar dados.

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A educadora também defende que o uso da inteligência artificial considere os diferentes ritmos e necessidades dos alunos. Kassula avalia que a tecnologia deve ser incorporada sem retirar da escola a função de promover relações humanas e desenvolvimento socioemocional.

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Ela afirma que a escolha da melhor estratégia para uma turma continua dependendo da avaliação do professor, que precisa conhecer o percurso, as dificuldades e os avanços de cada criança.

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No Distrito Federal, o professor Marcio Luiz Dias atua há 13 anos na formação continuada de docentes da rede pública e pesquisa o uso de inteligência artificial na educação.

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Para ele, a atualização permanente é necessária porque as mudanças no campo digital ocorrem em velocidade que dificulta a adaptação dos currículos das faculdades.

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Nas capacitações da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, a orientação é superar o uso mecânico das ferramentas e trabalhar com objetivos pedagógicos, colaboração e análise crítica.

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Marcio também aponta a possibilidade de empregar a inteligência artificial em tarefas administrativas e repetitivas.

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A avaliação dele é que esse uso pode liberar tempo para que os professores estudem, planejem as aulas, testem atividades e acompanhem individualmente os estudantes.

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Entre as aplicações citadas estão a diversificação de exercícios, a adaptação do nível de dificuldade, a elaboração de planos de aula e a correção de atividades objetivas.

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No Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional de Taguatinga, no Distrito Federal, o professor Jaime Guilherme de Oliveira ensina computação gráfica a estudantes de 14 a 18 anos. Muitos deles não têm computador em casa.

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Após participar de cursos da Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação, ele passou a usar a inteligência artificial para preparar conteúdos, planejar atividades, adaptar avaliações para alunos com neurodivergências ou necessidades específicas e criar jogos de

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revisão. Um dos materiais desenvolvidos por Jaime é o Arena ABNT, jogo interativo criado com o ChatGPT para ensinar, de forma lúdica, regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas aplicadas à produção de trabalhos acadêmicos.

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O professor considera que a ferramenta também pode aproximar os estudantes das mudanças do mercado de trabalho, desde que o uso seja acompanhado de reflexão sobre a finalidade do conteúdo, o público a que se destina e os efeitos que pode produzir.

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Os educadores ouvidos convergem na avaliação de que a inteligência artificial amplia recursos para o ensino, mas não substitui o julgamento profissional.

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Para Jaime, a tecnologia pode executar tarefas, enquanto a intenção pedagógica, a sensibilidade, o pensamento crítico e a responsabilidade permanecem sob responsabilidade humana.

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A formação dos professores e a capacidade de transformar conectividade em aprendizagem crítica aparecem como condições para que as ferramentas sejam usadas na escola com responsabilidade.

Fontes da reportagem

Agência Brasil

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