Eleicoes 2026

Mansão de Flávio Bolsonaro custou quase R$ 6 milhões e foi quitada três anos após compra

Imóvel no Lago Sul, em Brasília, foi citado por Lula durante debate da Band. Simulação com dados do Senado estima que o senador precisaria de cerca de 15 anos de salários para paga

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A compra de uma mansão por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou ao centro do debate eleitoral durante o confronto com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado no domingo (18) pela Band.

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O imóvel, localizado no Lago Sul, em Brasília, custou R$ 5,97 milhões em 2021 e teve um financiamento de R$ 3,1 milhões quitado três anos depois. Lula questionou como o senador teria adquirido a propriedade com a remuneração do cargo.

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Durante o debate, Lula afirmou que o imóvel valia R$ 10 milhões e perguntou ao adversário como ele havia conseguido comprá-lo com salário de senador. Flávio respondeu que a aquisição foi feita “com trabalho”.

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O valor registrado na compra, conforme informações sobre a transação, foi inferior ao citado pelo presidente, embora a mansão apareça avaliada em R$ 6,2 milhões na declaração de bens apresentada pelo senador à Justiça Eleitoral em 2026.

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Uma simulação baseada nos dados de remuneração disponíveis no Portal da Transparência do Senado indica que Flávio Bolsonaro levaria aproximadamente 15 anos para pagar o imóvel caso destinasse integralmente ao negócio tudo o que recebesse como senador.

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O cálculo não considera despesas pessoais, juros, rendimentos de outras atividades ou qualquer outra fonte de recursos.

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Entre fevereiro de 2019, quando completou o primeiro mês de mandato no Senado, e setembro de 2026, Flávio recebeu cerca de R$ 2,9 milhões líquidos em salários e subsídios, segundo os registros citados. Em 92 meses, a média foi de aproximadamente R$ 31,6 mil mensais.

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O último salário líquido informado foi de R$ 35.187,20. O preço da casa, portanto, corresponde a mais que o dobro de tudo o que ele teria recebido do Senado nesse intervalo.

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Na compra, Flávio e a mulher, a cirurgiã-dentista Fernanda Bolsonaro, deram uma entrada de R$ 2,87 milhões. O restante foi financiado pelo Banco de Brasília (BRB), em contrato originalmente previsto para ser pago em 360 parcelas, ao longo de 30 anos.

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A dívida, porém, foi liquidada em 2024, apenas três anos após a aquisição do imóvel. O financiamento também foi contestado judicialmente em 2024, em uma ação popular apresentada pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF).

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A parlamentar alegou que o empréstimo teria sido concedido em desacordo com regras internas do banco e que a renda informada pelo casal não seria suficiente para a operação.

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Quando a compra se tornou pública, em 2021, Flávio declarou renda mensal de R$ 56 mil, somando o salário do Senado e outras fontes, e disse ter capacidade para assumir o compromisso.

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Na época, o senador afirmou que a transação era legal e que os recursos vinham da venda do imóvel onde morava e de sua participação em uma loja de chocolates.

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Após a quitação, declarou ser também empresário e advogado e disse que seus recursos eram lícitos e resultado de seu trabalho.

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A defesa sustenta que a regularidade do empréstimo já teria sido reconhecida judicialmente, com decisão transitada em julgado, e afirma que a operação não provocou risco ou prejuízo ao BRB.

Fontes da reportagem

Brasil de Fato · UOL · Vermelho

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