Economia
Levantamento da CNC aponta endividamento recorde em julho, enquanto a Selic, mesmo após corte para 14%, permanece entre as mais altas do mundo em termos reais; executivos relatam e
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O endividamento das famílias brasileiras alcançou 82% em julho, o maior nível da série mencionada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
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O cenário ocorre mesmo após a redução da taxa básica de juros, a Selic, para 14%, e amplia a pressão sobre consumidores, empresas e instituições financeiras diante do custo elevado do crédito.
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Apesar do corte, o Brasil ainda registra o segundo maior juro real do planeta, segundo os dados apresentados.
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A combinação entre empréstimos caros e o acúmulo de compromissos financeiros reduz a margem disponível das famílias e influencia decisões de compra, investimentos empresariais e concessões de crédito.
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No varejo, o presidente-executivo da C&A, Paulo Correa, afirmou que os consumidores passaram a avaliar os gastos com mais cautela.
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Segundo ele, o ambiente de juros altos torna as escolhas de compra mais racionais e faz com que itens de vestuário sejam analisados também pelo impacto no orçamento cotidiano. Correa também destacou que o custo do dinheiro afeta a administração financeira das empresas.
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De acordo com o executivo, o uso de caixa e as decisões de longo prazo ficam mais restritos quando as taxas permanecem elevadas, o que reduz a flexibilidade para realizar movimentos considerados mais robustos. O setor imobiliário enfrenta uma pressão adicional.
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Luiz Maurício Garcia, diretor financeiro da construtora Tenda, afirmou que as taxas do Minha Casa Minha Vida são mais baixas, mas a inadimplência pode impedir que parte da população assuma um financiamento habitacional.
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A avaliação é que famílias já comprometidas com outras dívidas têm menor capacidade de adquirir um imóvel.
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Garcia informou que entre 15% e 20% dos clientes da Tenda estão inadimplentes e que a Provisão para Devedores Duvidosos, indicador usado para antecipar possíveis perdas com créditos não recebidos, aumentou no segundo trimestre de 2026.
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A companhia, segundo o executivo, busca restringir a concessão de crédito sem comprometer suas margens e sua rentabilidade. Os bancos também sentem os efeitos da política monetária restritiva.
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Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, afirmou que uma trajetória de alta da Selic pressiona as margens das linhas de crédito oferecidas pelas instituições.
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Na avaliação dele, taxas menores e mais previsíveis facilitam o equilíbrio entre ativos e passivos dos bancos, enquanto juros elevados tendem a favorecer a inadimplência. A próxima trajetória dos juros ainda depende do comportamento da atividade econômica e dos preços.
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O último comunicado do Comitê de Política Monetária deixou aberta a possibilidade de um novo corte na reunião de setembro.
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Para Arnaldo Lima, economista e líder de Relações Institucionais da Polo Capital, uma redução adicional poderá ocorrer se houver desaceleração da economia e da inflação, mas o Banco Central continuará monitorando a alta dos preços.
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Ele também avalia que o crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 pode ser menor que o registrado em 2025.
Fontes da reportagem
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