Saude

Crise do NHS expõe desafios que também pressionam o SUS, dizem especialistas

Envelhecimento da população, aumento da demanda, desigualdade regional e falta de profissionais desafiam os sistemas públicos de saúde do Reino Unido e do Brasil; plano britânico l

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A crise enfrentada pelo sistema público de saúde do Reino Unido, o NHS, reacendeu o debate sobre desafios que também pressionam o Sistema Único de Saúde (SUS), no Brasil.

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Em 2025, o governo britânico apresentou um plano de reforma para a próxima década, com foco na transferência de parte dos atendimentos dos hospitais para as comunidades, na digitalização dos serviços e na prevenção de doenças.

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A médica brasileira Ana Luíza Gibertoni Cruz acompanha a situação nos dois países.

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Formada no Brasil, onde fez residência no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e trabalhou na atenção primária do SUS em Campinas, ela se mudou para o Reino Unido em 2012 e hoje atua como infectologista e clínica geral no Hospital John Radcliffe, em Oxford.

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Para a médica, a pressão atual sobre o NHS resulta de mais de uma década de restrição de investimentos combinada ao aumento da demanda e da expectativa de vida.

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O envelhecimento populacional amplia o número de pessoas que vivem por mais tempo com doenças crônicas e precisam de acompanhamento contínuo.

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Esse cenário afeta tanto o NHS quanto o SUS, que enfrentam filas, dificuldades para garantir profissionais e desigualdade no acesso a exames e tratamentos especializados.

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A disponibilidade e a qualidade dos serviços podem variar de forma significativa conforme a região onde o paciente mora. No Reino Unido, as diferenças aparecem entre Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, cujos serviços são organizados de maneira descentralizada.

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Dados citados na reportagem mostram que o País de Gales gastava mais por habitante do que a Inglaterra, mas registrava filas maiores.

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Dentro da própria Inglaterra, em setembro de 2025, a lista de espera para tratamento eletivo na Grande Manchester era oito vezes superior à da região formada pela Cornualha e pelas Ilhas Scilly.

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Ana Luíza trabalha na Unidade de Avaliação Aguda do Hospital John Radcliffe, em Oxford. O serviço atende pacientes com condições médicas urgentes por períodos curtos, depois de triagem, exames e estabilização.

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O paciente pode receber alta ou ser encaminhado para uma enfermaria especializada. Segundo a médica, a unidade recebe entre 1.500 e 1.700 pacientes por mês e busca evitar a ocupação desnecessária de leitos e a sobrecarga dos grandes departamentos de emergência.

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O modelo britânico tem relação com os general practitioners, os GPs, que funcionam como principal porta de entrada do sistema. Esses médicos acompanham o histórico dos pacientes, fazem o atendimento inicial, monitoram doenças crônicas e avaliam a necessidade de encaminhamento.

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As unidades de avaliação aguda trabalham em parceria com essa estrutura e também recebem pacientes encaminhados por ambulâncias ou transferidos de prontos-socorros.

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No Brasil, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), criadas em 2007, cumprem parte de uma função semelhante, mas não são equivalentes às unidades britânicas.

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Segundo Maitê Gadelha, responsável técnica por uma UPA no Rio das Pedras e mestre em Saúde Pública pela Universidade de Edimburgo, as UPAs têm atendimento aberto a qualquer paciente, enquanto as unidades de avaliação aguda funcionam dentro dos hospitais e são voltadas a casos de

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atendimento rápido. Para Walter Cintra, professor de Gestão em Saúde da FGV, um dos principais desafios do SUS é aprofundar a regionalização.

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A meta é ampliar o acesso da população do interior a serviços especializados sem reproduzir a concentração de recursos nos grandes centros.

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Maitê Gadelha afirma que as diferenças territoriais brasileiras são ainda maiores por causa da extensão do país, do tamanho da população e das limitações de financiamento em algumas áreas.

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A Estratégia Saúde da Família é apontada como uma experiência brasileira reconhecida internacionalmente. Com a atuação de agentes comunitários nas casas das famílias, o modelo permite acompanhar sintomas, doenças crônicas e fatores que afetam o bem-estar.

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Especialistas, porém, avaliam que ainda é necessário avançar na descentralização, na autonomia dos gestores locais e em contratos de desempenho.

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A reforma britânica segue direção semelhante ao propor uma rede mais ampla de serviços de bairro e maior concentração do atendimento perto da residência dos pacientes, em vez da dependência dos grandes hospitais.

Fontes da reportagem

BBC · Prefeitura de Maceió · Prefeitura de Joinville

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