Eleicoes 2026
Petistas avaliam que uma eventual reeleição de Lula exigiria acordos com partidos de centro e poderia limitar propostas de esquerda, diante do fortalecimento da oposição no Legisla
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Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que uma eventual reeleição exigiria um governo mais ao centro, devido à configuração mais hostil do Congresso Nacional definida pelas eleições recentes.
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Segundo integrantes do PT ouvidos pela Folha de S.Paulo, o cenário poderia restringir a capacidade do Executivo de aprovar propostas identificadas com a esquerda e obrigar o governo a ampliar as negociações com partidos de centro e da direita tradicional.
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A avaliação não é atribuída diretamente a Lula. Políticos próximos ao presidente afirmam que ele está concentrado na disputa pelo segundo turno e ainda não iniciou discussões detalhadas sobre um possível quarto mandato.
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A prioridade, neste momento, é reverter a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que terminou o primeiro turno com 47% dos votos, ante 45% de Lula. O novo Congresso é considerado mais adverso ao petista do que o atual.
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O fortalecimento da oposição foi especialmente percebido no Senado, onde aliados de Lula veem maior dificuldade para formar maioria.
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Nesse contexto, uma das primeiras tarefas políticas de um eventual novo governo seria negociar a recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados e de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao comando do Senado.
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A situação de Alcolumbre é apontada como a mais complexa pelos petistas, em razão do avanço da oposição no Senado.
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Lula chegou a dizer que Motta poderia ajudá-lo na eleição presidencial, depois de se reunir com o deputado, que declarou apoio ao presidente apesar de o Republicanos ter anunciado apoio a Flávio Bolsonaro.
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O episódio evidencia a distância entre decisões individuais de parlamentares e as posições formais das legendas. A composição projetada para o Legislativo também alimenta dúvidas sobre a execução de promessas de campanha.
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Um dos exemplos citados por integrantes do PT é a reforma do Judiciário defendida por Lula. O receio é que o governo consiga enviar uma proposta, mas que o texto seja alterado de forma substancial durante a tramitação no Congresso.
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Os petistas também demonstram cautela em relação às propostas de emenda à Constituição. Para serem aprovadas, as PECs precisam obter ao menos três quintos dos votos em cada Casa, em dois turnos de votação.
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Depois da aprovação, podem ser promulgadas diretamente pelo Congresso, sem possibilidade de veto presidencial, o que reduz a margem de interferência do Executivo.
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No atual mandato, Lula incorporou ao governo representantes de partidos como PSD, MDB, PP e União Brasil, além das siglas de esquerda. Ainda assim, essas alianças não garantiram apoio integral em votações consideradas decisivas.
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A avaliação de aliados é que o avanço do PL sobre o espaço ocupado anteriormente por partidos de centro e pela direita tradicional pode reduzir ainda mais as alternativas de composição em um eventual novo mandato.
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Nesse cenário, a manutenção dos programas sociais aparece como uma das prioridades políticas mais importantes. Lula passou a explorar, na campanha, o temor de que os benefícios sejam afetados caso Flávio Bolsonaro vença a eleição.
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A estratégia ocorre paralelamente a uma tentativa de aproximar o discurso do centro, com a defesa do equilíbrio das contas públicas e a promessa de criar condições para a queda dos juros. A campanha de Lula também foi reorganizada depois do primeiro turno.
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Os ex-ministros Camilo Santana (PT-CE) e Rui Costa (PT-BA), além do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), assumiram funções de comando. Edinho Silva e outros dirigentes perderam espaço na coordenação.
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O presidente afirmou que sua campanha no primeiro turno foi a menos organizada de suas disputas presidenciais. Nos últimos dias, a comunicação eleitoral passou a adotar ataques mais diretos a Flávio Bolsonaro e a investir em vídeos curtos gravados em formato de selfie.
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A mudança busca acelerar as respostas aos temas em discussão e aproximar a campanha de formatos comuns nas redes sociais. Apesar de aliados reconhecerem a dificuldade da disputa, o grupo de Lula deixou de demonstrar o desânimo observado logo após o resultado do primeiro turno.
Fontes da reportagem
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