SES orienta sobre cuidados com a saúde diante dos efeitos do El Niño
Secretaria de Estado da Saúde alerta para o risco de desidratação, exaustão pelo calor e agravamento de doenças durante períodos de altas temperaturas associados ao El Niño, com atenção especial a crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade em Sergipe.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) orienta a população de Sergipe a reforçar os cuidados com a saúde diante da possibilidade de calor intenso e redução das chuvas associadas ao El Niño. O fenômeno, marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, pode alterar os padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões e contribuir para períodos de seca no Nordeste brasileiro.
Segundo o diretor de Vigilância em Saúde da SES, Marco Aurélio, as temperaturas elevadas podem favorecer a desidratação, a exaustão pelo calor e a descompensação de doenças preexistentes. A recomendação é aumentar a ingestão de água mesmo quando não houver sensação de sede, especialmente em áreas que já enfrentam condições de seca, como o sertão sergipano.
A desidratação pode provocar a piora de outros problemas de saúde e elevar o risco de complicações, incluindo infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e problemas renais, conforme o alerta da SES. Entre os sinais que exigem atenção estão a redução da quantidade de urina, alterações de comportamento e piora do estado geral.
Idosos e crianças estão entre os grupos que precisam de acompanhamento mais próximo. Pessoas idosas podem ter menor percepção da sede, o que dificulta a identificação precoce da perda de líquidos. Por isso, a orientação é oferecer água regularmente e observar mudanças no estado de saúde. Entre as crianças, a atenção é especialmente importante para as menores de um ano.
Para bebês de até seis meses, a recomendação é manter o aleitamento materno exclusivo, sem oferecer água. A introdução de água deve ocorrer a partir dos seis meses, junto com o início da alimentação complementar, conforme a orientação apresentada pela Secretaria de Estado da Saúde.
A SES também chama atenção para pessoas em situação de rua e para quem vive em condições que dificultam o acesso à água potável. Em períodos de desabastecimento, o consumo de água de procedência duvidosa pode favorecer infecções intestinais, com ocorrência de diarreia e vômitos. Esses sintomas podem intensificar a perda de líquidos e aumentar o risco de desidratação.
As regiões do sertão e do agreste podem ser mais impactadas pelo calor intenso e pela estiagem, segundo a avaliação da Vigilância em Saúde. A Secretaria mantém o acompanhamento de indicadores e registros de doenças e agravos para identificar possíveis alterações relacionadas às condições climáticas. Até o momento, Marco Aurélio informou que não foram observados efeitos diretamente associados ao El Niño nos indicadores monitorados pela pasta.
Mesmo sem alterações identificadas até agora, a rede de saúde permanece em alerta. A SES afirma que trabalha com os municípios e com os colegiados intergestores para reconhecer possíveis mudanças no cenário e garantir resposta oportuna às necessidades da população. A atuação integrada entre a Vigilância em Saúde, os serviços assistenciais e as administrações municipais busca fortalecer a prevenção, detectar precocemente possíveis agravos e orientar os moradores sobre os riscos relacionados às condições climáticas.