Ministros do Supremo reduzem exposição política no segundo turno, segundo relato
Integrantes do STF alinhados ao governo Lula passaram a agir com mais discrição na segunda etapa da disputa, após avaliação de que iniciativas do primeiro turno teriam favorecido Flávio Bolsonaro. Movimentos envolvendo Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques seguem no centro das articulações.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) considerados próximos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotaram uma postura mais discreta no segundo turno das eleições. Segundo avaliação atribuída à própria Corte e à campanha de Lula, manifestações e decisões interpretadas como favoráveis ao petista durante a primeira etapa da disputa teriam contribuído para ampliar o apoio a Flávio Bolsonaro (PL).
Um dos principais instrumentos dessa ofensiva seria uma auditoria conduzida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em processos nos quais aliados de Kassio Nunes Marques são apontados como possíveis beneficiários de ganhos. O levantamento envolve decisões sobre precatórios do setor sucroalcooleiro e ações em que hospitais pedem a substituição da Tabela SUS pela Tunep em contratos com o poder público. Segundo o relato, essas demandas teriam levado à emissão antecipada de precatórios.
Gilmar Mendes é apontado como um dos principais defensores da atuação do CNJ. Ele teria dito a interlocutores que considera a situação de Kassio mais sensível do que a de Moraes. O material também cita um contrato de R$ 129 milhões firmado pela mulher de Moraes com Vorcaro e mensagens localizadas pela Polícia Federal que sugeririam que o ministro atuava como uma espécie de consultor jurídico do banqueiro em Brasília. As informações são apresentadas como elementos discutidos nos bastidores, sem indicação de conclusão definitiva sobre responsabilidade.
Apesar das avaliações de que os dois episódios seriam os mais graves, a expectativa descrita é de que a proximidade de Kassio com a família Bolsonaro e o domínio do PL sobre o Congresso dificultariam um eventual processo de impeachment. No entorno de Moraes, também haveria a expectativa de que uma vitória de Flávio Bolsonaro levasse a negociações para evitar processos contra ministros do Supremo.
Entre as possibilidades discutidas estaria uma reforma do Judiciário conduzida pelo Congresso, com redução dos poderes da Corte. Outra hipótese considera que Flávio Bolsonaro poderia nomear ao menos quatro ministros do STF, o que alteraria a maioria do tribunal em favor da direita. Também é mencionada a possibilidade de integrantes do grupo de Moraes sinalizarem que não criariam obstáculos ao governo, caso Flávio fosse eleito. Uma quarta alternativa seria Moraes abrir mão de disputar a presidência do STF no ano seguinte em troca da permanência no cargo. O relato trata todas essas saídas como hipóteses em discussão, e não como decisões tomadas.