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Economia

FMI reduz projeção, mas ainda estima alta de 2,2% para a economia brasileira em 2026

Relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional também revisou para baixo a previsão de crescimento do Brasil em 2027, enquanto mantém estimativa de inflação dentro da meta oficial para os dois anos.

O prédio da sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington 08/04/2019 REUTERS/Yuri Gripas
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta crescimento de 2,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026, segundo o relatório Perspectivas da Economia Mundial divulgado na segunda-feira (12). A estimativa representa uma redução em relação à previsão de julho, que apontava expansão de 2,4% para a economia brasileira.

Para 2027, o organismo também revisou a projeção para baixo, de 2,2% para 1,9%. Mesmo com as reduções, a previsão do FMI para 2026 permanece acima das estimativas do governo brasileiro e do mercado financeiro. O Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda, divulgado em setembro, prevê crescimento de 2,0%, enquanto o boletim Focus, do Banco Central, aponta alta de 1,85% em 2026 e de 1,40% em 2027.

Na avaliação dos técnicos do FMI, a desaceleração brasileira está relacionada principalmente à manutenção de condições monetárias restritivas, à retirada de estímulos fiscais e às incertezas no cenário internacional. A política monetária é considerada restritiva quando os juros elevados encarecem o crédito e reduzem o consumo e os investimentos produtivos.

A taxa Selic, principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, está em 13,75% ao ano. O nível representa uma trajetória de queda iniciada em março de 2026, quando a taxa estava em 15% ao ano. Ainda assim, o FMI considera que as condições monetárias seguem limitando o ritmo de expansão da atividade econômica.

O relatório estima que a inflação brasileira termine 2026 em 4,4% e 2027 em 4,1%. Os dois números estão dentro da meta oficial, de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que permite uma inflação de até 4,5%. As projeções, porém, divergem das de outras instituições: o Ministério da Fazenda calcula taxas de 4,9% em 2026 e 3,8% em 2027, enquanto o Focus prevê 5,22% e 4,30%, respectivamente.

O FMI alerta que diferentes países continuam expostos a novas pressões inflacionárias provocadas pelo aumento internacional dos preços de energia e alimentos. Na análise sobre commodities, o fundo afirma que o petróleo tem apresentado forte oscilação em razão do conflito no Golfo Pérsico, região onde está o Estreito de Ormuz. Segundo o relatório, o mercado reagiu ao cenário com aumento da produção em países fora da área, entre eles Brasil, Cazaquistão, Estados Unidos e Venezuela.

O documento também registra alta nos preços agrícolas, especialmente de cereais e bebidas. No caso do café, o FMI aponta aumento de 8% entre março e agosto, associado a fortes chuvas em Minas Gerais, que atrasaram a colheita e ampliaram as preocupações sobre a qualidade da safra.

Para o mercado de trabalho brasileiro, o fundo projeta taxa de desemprego de 6,2% ao fim de 2026 e de 6,8% em 2027. O dado mais recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostra desemprego de 5,3% no trimestre móvel encerrado em agosto, o menor índice para o período desde o início da série histórica, em 2012. O relatório do FMI também aponta redução do crescimento da América Latina, ao mesmo tempo em que eleva a estimativa para a expansão da economia mundial.

O FMI é uma instituição multilateral vinculada às Nações Unidas e tem, entre suas atribuições, a promoção da estabilidade do sistema financeiro global. As projeções para o Brasil integram a avaliação mais ampla sobre atividade econômica, inflação, comércio e preços de matérias-primas em diferentes regiões.

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