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Cidades

Fim da escala 6×1 exige mais produtividade das empresas, alerta economista do IEL

A redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, deve exigir investimentos em tecnologia, inovação e gestão, segundo Rodrigo Rocha, do IEL e da Fies. Entidades nacionais projetam aumento de custos para setores como indústria, supermercados e construção civil.

Rodrigo Rocha, IEL
Crédito da imagemNão informado na origem
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A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pelo Senado Federal deverá exigir que empresas sergipanas invistam em tecnologia, inovação e eficiência para absorver parte do aumento de custos provocado pela redução da jornada de trabalho. A avaliação é do economista Rodrigo Rocha, superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e economista da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (Fies).

A proposta reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários, e assegura dois dias de descanso remunerado por semana. Conforme o texto aprovado, a jornada passará inicialmente para 42 horas semanais, dois meses após a promulgação, e chegará a 40 horas depois de mais um ano.

Para Rocha, o principal desafio será elevar a produtividade por hora trabalhada para evitar que os novos custos sejam repassados integralmente aos consumidores. Entre as alternativas citadas pelo economista estão o uso de inteligência artificial para reduzir desperdícios e retrabalho, a transformação digital, o aprimoramento da gestão de estoques e a reorganização das escalas de trabalho.

O economista também defende que as empresas acompanhem com maior precisão os custos, a produtividade e as margens de lucro. Segundo ele, a modernização dos processos e uma gestão mais eficiente serão determinantes para preservar a competitividade e a continuidade dos negócios durante a adaptação às novas regras.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada possa provocar uma alta média de 6,2% nos preços ao consumidor. A entidade também calcula que os custos de produção podem aumentar em até R$ 267,2 bilhões, com possível redução de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB). O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou a aprovação e afirmou que a medida não foi precedida por um debate mais aprofundado sobre seus impactos econômicos.

O setor supermercadista também manifestou preocupação. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) questionou a rapidez da votação e apontou a necessidade de discutir os efeitos da mudança sobre os custos operacionais e a organização das equipes. A Associação Sergipana de Supermercados não havia se pronunciado sobre a aprovação da PEC.

Na construção civil, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alertou para a possibilidade de aumento de custos e atraso em obras. De acordo com a entidade, a mudança poderia exigir a contratação de aproximadamente 288 mil trabalhadores adicionais no país, com custo anual estimado em R$ 13,5 bilhões. A Associação Sergipana dos Empresários de Obras Públicas e Privadas (Asseop) também não havia se manifestado.

A PEC foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (14) e segue para promulgação. Para Rodrigo Rocha, a capacidade de reorganizar as escalas, controlar despesas e ampliar a produtividade será decisiva para que as empresas se adaptem à redução da jornada sem comprometer sua competitividade.

Fontes da reportagem

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