“A infância é um chão que a gente pisa o tempo inteiro”
Em texto publicado em 3 de outubro de 2026, Luiz Thadeu Nunes relembra episódios da infância, como os dias na casa dos avós no Maranhão e as brincadeiras na chuva, para refletir sobre a permanência do encantamento ao longo da vida. Na ocasião, o autor estava em Brasília para entrevistas e palestras.

Luiz Thadeu Nunes publicou em 3 de outubro de 2026, no Só Sergipe, um texto sobre as lembranças da infância e a forma como elas continuam presentes na vida adulta. Em Brasília, onde estava para participar de entrevistas e palestras, o autor relacionou memórias familiares, brincadeiras simples e a capacidade de se encantar com o cotidiano.
A recordação mais recente surgiu enquanto ele fazia um barquinho de papel com folhas que sobraram de um caderno antigo. O gesto o levou de volta à casa dos avós maternos, Agripino e Maria, em Rosário, no interior do Maranhão, onde passava as férias escolares. Foi o avô quem lhe ensinou a dobrar o papel. Depois, o menino colocava os barcos na sarjeta em dias de chuva e acompanhava o percurso até perdê-los de vista.
Nunes afirma que ainda não repetiu a brincadeira com o neto primogênito, Heitor, de um ano e oito meses. Segundo o autor, pretende fazer os barcos para o menino. A lembrança do avô e a expectativa de compartilhar a atividade com o neto aproximam três momentos de sua vida por meio de uma experiência cotidiana, sem valor prático imediato.
Outra cena mencionada no texto é a de um pai que conduzia o filho, de no máximo dois anos, por poças de lama. Os dois estavam sujos, e a criança ria ao pisar na água barrenta. Para Nunes, a experiência poderá permanecer na memória do menino quando ele for adulto. A reflexão parte da ideia de que momentos de brincadeira e descoberta podem adquirir significado com o passar do tempo.
O autor também recupera uma frase atribuída à escritora Lya Luft: “A infância é um chão que a gente pisa a vida inteira”. Nunes diz que suas memórias desse período funcionam como um refúgio diante das dificuldades da vida e que é nelas que procura preservar a criança que, segundo sua interpretação, continua a existir dentro dele.
A capacidade de se espantar e de se encantar com o mundo aparece ainda associada, no texto, a uma formulação de Mia Couto sobre a infância. Antes disso, Nunes cita a defesa de que crianças e adultos deveriam reservar tempo para observar nuvens, ouvir o vento, sentir o cheiro da chuva e acompanhar uma aranha tecendo sua teia. Para ele, essas atividades, embora não tenham utilidade prática, fazem parte do que dá sentido à experiência de viver.
No fim do texto, escrito durante sua passagem por Brasília, Nunes menciona a eleição marcada para 4 de outubro, quando, segundo ele, o Brasil iria às urnas para escolher seus futuros líderes. Em meio ao cenário que descreve como tumultuado e caótico, o autor afirma encontrar nas lembranças da infância uma fonte de sustentação e esperança por dias melhores.