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Economia

Preços altos mantêm Trump sob pressão apesar de crescimento e baixo desemprego

A economia dos Estados Unidos apresenta crescimento de 2,2% e desemprego de 4,2%, mas a inflação continua pesando no orçamento das famílias. A dificuldade de Donald Trump em traduzir os indicadores positivos em percepção favorável repete um problema enfrentado por Joe Biden em 2024.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de um comício em apoio ao candidato republicano à reeleição para o Senado, Roger Marshall, no Kansas, em 19 de outubro. Ele usa terno azul, camisa branca e gravata estampada em vermelho e branco.
Crédito da imagemNão informado na origem
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Donald Trump enfrenta, antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, uma dificuldade semelhante à que prejudicou Joe Biden em 2024: os indicadores econômicos permanecem relativamente sólidos, mas os eleitores continuam insatisfeitos com o custo de vida. O crescimento da economia e o baixo desemprego não foram suficientes para compensar a percepção de que os preços seguem altos.

A atividade econômica americana cresceu 2,2%, segundo os dados citados na reportagem, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,2%. O mercado de ações também está próximo de máximas históricas. Para o governo Trump, esses números indicam que a agenda econômica está estimulando o crescimento e os investimentos. A avaliação dos eleitores, porém, está mais ligada às despesas diárias do que ao desempenho do Produto Interno Bruto ou das bolsas.

Durante a campanha de 2024, Trump prometeu reduzir os preços rapidamente. A inflação, no entanto, continuou afetando as famílias. O salário médio por hora avançou 3% no último ano, enquanto os preços ao consumidor subiram 3,7%. A diferença ajuda a explicar por que pesquisas continuam registrando avaliações negativas sobre a atuação do presidente na economia.

O problema também envolve a diferença entre o significado de inflação para economistas e consumidores. Quando economistas dizem que a inflação está desacelerando, referem-se à redução do ritmo de alta dos preços. Para muitos eleitores, a expressão sugere que os preços voltarão ao nível anterior, o que normalmente não ocorre. Celinda Lake, pesquisadora de opinião pública ligada ao Partido Democrata, afirma que as pessoas avaliam a economia a partir da própria experiência com compras, contas e renda.

Biden enfrentou uma situação parecida no ano eleitoral de 2024. Seu governo destacava o desemprego baixo, o crescimento econômico e a queda da inflação, enquanto parte do eleitorado continuava concentrada nos preços elevados. As pressões daquele período foram associadas, entre outros fatores, aos efeitos da pandemia de covid-19 e aos problemas nas cadeias de abastecimento, fatores que o então presidente poderia apontar como externos ao seu controle, segundo a análise.

No caso de Trump, parte da pressão sobre os preços é relacionada a decisões do próprio governo. As tarifas anunciadas no chamado Dia da Libertação, em abril de 2025, elevaram os custos de bens de consumo. Um estudo do Federal Reserve de Nova York estimou que elas aumentaram os preços desses produtos em aproximadamente 2,9%. O impacto poderia ter sido maior depois que algumas tarifas foram suspensas, novos acordos comerciais foram firmados e a Suprema Corte impediu o uso de poderes de emergência para impor várias outras taxas sobre importações.

Os preços da energia também pressionaram o orçamento das famílias. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou as cotações do petróleo e encareceu a gasolina, de acordo com o material analisado. O economista Peter Morici, da Universidade de Maryland e alinhado aos republicanos, atribuiu a inflação às tarifas de Trump e à guerra. A Casa Branca, por sua vez, afirma que os cortes de impostos, o crescimento do emprego e a redução do custo de medicamentos prescritos demonstram que o governo está cumprindo suas promessas econômicas.

Na tentativa de aliviar a insatisfação, Trump defendeu um limite para os juros cobrados em cartões de crédito e mencionou a possibilidade de um pagamento de US$ 5 mil a adultos americanos caso os republicanos mantenham o controle do Congresso. O governo também tem adotado outras medidas para reduzir a pressão sobre as famílias. Ainda assim, a experiência recente indica que crescimento e desemprego baixo podem ter pouco efeito político quando os consumidores continuam pagando mais no supermercado, na bomba de gasolina e nas contas do mês. A questão para Trump é se conseguirá aproximar os bons indicadores da percepção dos eleitores antes das eleições de meio de mandato.

Fontes da reportagem

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