Carta de Flávio Bolsonaro com alegações sem provas repercute em jornais estrangeiros
Após a derrota no segundo turno, o senador deixou o Brasil e chegou a Miami, nos Estados Unidos. A carta em que se declarou o "verdadeiro presidente" e questionou o resultado eleitoral foi noticiada por veículos como The New York Times, Reuters, The Guardian e La Nación.

Após a derrota no segundo turno das eleições, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil em etapas e chegou a Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira. Durante a viagem, o senador publicou uma carta na qual se autodeclarou o "verdadeiro presidente" do país e afirmou, sem apresentar provas, que o processo eleitoral havia sido fraudado. O texto teve pelo menos três versões e foi repercutido por veículos de imprensa de diferentes países.
A chegada do senador e de sua família aos Estados Unidos foi destacada na capa da edição de quinta-feira do The New York Times. A publicação exibiu uma foto de Flávio e dos familiares descendo de um jatinho e informou que ele havia sido derrotado na eleição e chegado a Miami com o passaporte cancelado. O jornal também publicou uma reportagem específica sobre a viagem e o conteúdo da carta.
A agência Reuters também noticiou a saída de Flávio e mencionou a carta em reportagem publicada nesta quarta-feira. Ao tratar do resultado eleitoral, a agência afirmou que a vitória de Lula havia sido reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral, por líderes mundiais, por observadores internacionais e pelo próprio partido de Bolsonaro.
A Reuters também citou uma manifestação atribuída ao chefe da autoridade eleitoral, Kassio Nunes Marques, segundo a qual a eleição ocorreu em conformidade com as exigências legais e constitucionais. A declaração, de acordo com a agência, não fazia referência direta à carta publicada pelo senador.
No Reino Unido, o The Guardian classificou o texto com base no termo usado pelos três principais jornais brasileiros, Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, que o descreveram como uma manifestação golpista. O jornal britânico informou ainda que Flávio apagou uma primeira versão e publicou outra na qual deixou de se apresentar como o "verdadeiro presidente" e passou a se definir como "o líder do Brasil".
Na Argentina, o jornal La Nación acompanhou a passagem de Flávio pelo país, a saída do Brasil e a chegada da família aos Estados Unidos. As reportagens abordaram também os brasões usados nas versões da carta e compararam a autoproclamação do senador aos casos de Juan Guaidó, que se declarou presidente da Venezuela durante a disputa com Nicolás Maduro, e de Charles de Gaulle, que liderou o governo provisório da França após a Segunda Guerra Mundial.
O La Nación informou que o primeiro brasão usado no documento correspondia ao período da Proclamação da República, em 1889, e permaneceu válido até 1968, quando foi substituído durante a ditadura militar. Treze minutos depois, a carta teria sido republicada com o brasão correto da República Federativa do Brasil. A repercussão internacional ocorreu enquanto Flávio permanecia nos Estados Unidos, após a viagem iniciada depois da derrota eleitoral.
Fontes da reportagem
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