NYT relata apoio de Trump e aliados para entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA
De acordo com o jornal, o avião usado pelo senador foi providenciado por Jason Miller, conselheiro de Trump e estrategista de comunicação do presidente americano. A aeronave levou Flávio da Argentina a Miami, com uma escala no Equador. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos, mantinha contato com Miller, segundo a reportagem.

Autoridades americanas ouvidas pelo New York Times afirmaram que Trump garantiu a entrada de Flávio nos Estados Unidos. O senador teria apresentado um passaporte diplomático brasileiro, embora o documento já tivesse sido cancelado pela Polícia Federal na segunda-feira, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um funcionário do governo americano disse ao jornal, sob condição de anonimato, que Flávio deverá solicitar um green card, documento que concede residência permanente nos Estados Unidos. Segundo essa fonte, o senador está no país com um visto de imigração temporário concedido por ordem de Trump e poderá obter posteriormente a residência permanente. O processo costuma levar anos para a maioria dos imigrantes, mas teria sido aprovado rapidamente no caso de Eduardo Bolsonaro, que recebeu o documento em julho.
A saída de Flávio ocorreu depois de Moraes determinar, no domingo, a apreensão dos passaportes do senador. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, que apontou a existência de “risco concreto” de fuga. O senador também passou a ser citado em uma disputa política envolvendo uma carta na qual se autodeclarou presidente eleito do Brasil.
Segundo reportagem da colunista Mariana Sanches, do UOL, agentes ligados ao Departamento de Estado americano procuraram Flávio após a divulgação do texto e pediram que ele alterasse a redação. Os emissários teriam alertado que a expressão usada poderia prejudicar os interesses diplomáticos dos Estados Unidos nas relações com o Brasil. Em seguida, o senador publicou uma nova versão na qual se identificou como “líder do Brasil”.
Trump evitou comentar diretamente o conteúdo da carta, mas questionou o resultado das eleições brasileiras. Ao ser perguntado sobre a declaração de Flávio, o presidente americano afirmou que os Estados Unidos haviam autorizado a entrada do senador no país, mas disse que não pretendia se envolver. Na mesma ocasião, classificou a eleição brasileira como “muito estranha”. No dia seguinte, Trump declarou que conversaria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o processo eleitoral e chamou a eleição de “desgraça”.
Fontes da reportagem
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