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Eleicoes 2026

Bolsa Família reduz diferença de Lula em cidades com maior presença evangélica

Levantamento indica que Lula avançou entre o primeiro e o segundo turno de 2026 em municípios com alta cobertura do Bolsa Família e grande presença evangélica, embora sua votação tenha recuado, na comparação com 2022, entre as cidades mais dependentes do programa.

Bolsa Família conecta Lula a evangélicos, e petista avança nas cidades dependentes do auxílio com mais fiéis - O GLOBO
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A votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançou no segundo turno de 2026 em municípios que combinam alta cobertura do Bolsa Família e forte presença de evangélicos. O movimento reduziu a distância historicamente observada entre o desempenho do petista em cidades com muitos beneficiários do programa e aquele registrado em localidades com maior concentração de fiéis, mas não permite concluir que ele tenha conquistado mais votos de eleitores evangélicos individualmente.

A análise considerou os 5.570 municípios brasileiros e os dividiu em quatro grupos conforme a proporção de moradores beneficiários do Bolsa Família em setembro de 2023. O grupo com maior cobertura reúne 1.393 cidades, nas quais, em média, 55% dos moradores recebiam o benefício. Esses municípios continuam concentrando algumas das melhores votações de Lula, mas apresentaram comportamento diferente conforme a presença evangélica.

Nas cidades com alta cobertura do programa, Lula passou de 70,91% dos votos no primeiro turno para 72,68% no segundo. Em relação à eleição de 2022, porém, houve recuo: naquele ano, ele havia alcançado 74,49% no segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL). Já nos municípios com menor adesão ao Bolsa Família, sua votação subiu de 41,61%, em 2022, para 42,51%.

Entre os municípios mais dependentes do programa e com maior presença evangélica, Lula cresceu, em média, 2,15 pontos percentuais entre os dois turnos de 2026 e 0,5 ponto na comparação com 2022. Nas cidades com alta cobertura do Bolsa Família e menor presença de evangélicos, o avanço entre os turnos foi de 1,22 ponto, enquanto a votação recuou 2,3 pontos em relação à eleição anterior.

Considerando as cidades com maior cobertura do programa em cada estado, Lula obteve 67,4% dos votos naquelas com menor presença de evangélicos e 52% nas que tinham maior proporção de fiéis. A diferença entre os dois grupos foi de 15,4 pontos percentuais, ante 18,1 pontos quatro anos antes. O resultado sugere uma diminuição da distância entre perfis municipais distintos, mas não uma mudança geral no comportamento do eleitorado evangélico.

O avanço foi especialmente expressivo em municípios populosos da periferia do estado do Rio de Janeiro. Em Nova Iguaçu, onde 40,2% dos moradores com dez anos ou mais se declararam evangélicos no Censo de 2022 e 33,3% da população era beneficiária do Bolsa Família, a margem de Lula melhorou 7,92 pontos percentuais em relação a 2022. O petista não venceu na cidade, mas reduziu a vantagem do PL.

Em Itaboraí, a diferença entre PL e PT diminuiu 7,45 pontos percentuais; em Japeri, a redução foi de 8,99 pontos. As duas cidades também estavam entre aquelas com maior cobertura do Bolsa Família e maior presença evangélica no estado. Em Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo, onde cerca de um em cada quatro moradores recebia o benefício e 37% eram evangélicos, Lula ampliou sua margem em 3,18 pontos.

O resultado ocorreu após mudanças no programa durante a campanha. Em 17 de setembro, 17 dias antes do primeiro turno, Lula anunciou reajuste de 15% no valor do Bolsa Família, correspondente à inflação acumulada desde 2023. O benefício mínimo passou a R$ 691. No segundo turno, o governo anterior antecipou o calendário de pagamentos, e as 19,3 milhões de famílias atendidas receberam os valores reajustados até 21 de outubro, quatro dias antes da votação.

Para o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da FGV EAESP, a possibilidade de perda do benefício caso Flávio Bolsonaro fosse eleito teria sido usada como elemento de mobilização eleitoral e alcançado também parte do eleitorado evangélico. Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, avaliou que o recebimento do auxílio pode dificultar a transformação do beneficiário evangélico em um eleitor fortemente antipetista. As avaliações, contudo, não demonstram que a religião deixou de influenciar a escolha política nem que o programa tenha determinado sozinho o voto.

Fontes da reportagem

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