EUA reafirmam apoio a eleições no Brasil e justificam sanções contra Moraes e facções
Em carta enviada ao Congresso americano, o Departamento de Estado afirmou defender um processo eleitoral livre e justo no Brasil e manteve as justificativas para as medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, o PCC e o Comando Vermelho.

O governo dos Estados Unidos afirmou apoiar o direito dos brasileiros a eleições livres e justas em outubro de 2026 e defendeu as medidas adotadas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). As declarações estão em uma carta do Departamento de Estado americano datada de quinta-feira (15).
A resposta foi assinada por Katherine Bowles, secretária assistente do Escritório de Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, e encaminhada à deputada democrata Delia Ramirez. A parlamentar havia escrito ao secretário de Estado, Marco Rubio, em 24 de setembro, para questionar a política americana em relação ao Brasil durante o período eleitoral.
No documento, o Departamento de Estado afirma que continuará mantendo contato com a população brasileira, o setor privado e o governo que for eleito. Segundo a carta, o objetivo é promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade entre os dois países.
A mensagem também menciona o diálogo dos Estados Unidos com governos e organizações da sociedade civil do Hemisfério Ocidental sobre governança democrática, independência judicial e integridade eleitoral. O departamento cita, entre os canais utilizados, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e as conversas diplomáticas bilaterais.
O Departamento de Estado também defendeu a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo o órgão, as duas facções são altamente violentas, reúnem milhares de integrantes, são responsabilizadas por ataques contra forças de segurança, autoridades e civis brasileiros e mantêm redes criminosas que alcançam os Estados Unidos.
De acordo com a carta, a classificação das facções levou em conta a avaliação americana sobre a ameaça que elas representam para a segurança dos Estados Unidos e da região. O departamento afirmou ainda que a medida faz parte do compromisso do governo Donald Trump de desarticular cartéis e organizações criminosas no continente e proteger a população americana.
A manifestação ocorre no contexto da preparação para as eleições brasileiras de outubro de 2026. Ao mesmo tempo em que sustenta as sanções contra Moraes e as organizações criminosas, o governo americano afirma que pretende manter canais de diálogo com a sociedade brasileira, o setor privado e as autoridades do país eleito.
A carta não apresenta novas medidas além das já mencionadas nem detalha alterações na política americana em relação ao Brasil. O documento se limita a reafirmar o apoio dos Estados Unidos a um processo eleitoral livre e justo e a explicar as razões atribuídas pelo Departamento de Estado às sanções contra o ministro e às designações envolvendo o PCC e o Comando Vermelho.