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Congresso promulga emenda que reduz jornada e prevê dois dias de descanso semanal

Mudança constitucional foi promulgada por Davi Alcolumbre em sessão com a presença de Lula; primeira etapa começa em 60 dias, com redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais, antes da adoção do limite de 40 horas.

Homem de terno cinza levanta exemplar da Constituição brasileira em sessão parlamentar. Três homens ao redor aplaudem, todos vestidos formalmente, em ambiente institucional com cadeiras e grades ao fundo.
Crédito da imagemO presidente Lula segura um exemplar da Constituição Federal após a aprovação da PEC que acabou com a escala 6x1 no Brasil; ao lado dele, Davi Alcolumbre e Hugo Motta - Gabriela Biló/Folhapress
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O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda constitucional que extingue a escala de trabalho 6×1 para trabalhadores com carteira assinada. A solenidade foi conduzida pelo presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que transformou a mudança em uma de suas principais bandeiras voltadas ao eleitorado trabalhador.

A nova regra torna obrigatória a concessão de dois dias de folga por semana e prevê a redução gradual da jornada máxima. Em 60 dias, o limite passará de 44 para 42 horas semanais. Depois de 12 meses, será aplicada a segunda etapa, com a redução para 40 horas. A alteração foi aprovada por ampla maioria na Câmara dos Deputados e no Senado, com apoio de parlamentares do governo, do centrão e da oposição.

A sessão teve forte presença política de Lula. O presidente foi recebido no plenário com gritos de apoio puxados por agentes comunitários de saúde que ocupavam as galerias. Após a promulgação, ele ergueu um exemplar da Constituição, em um gesto associado ao então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, e defendeu a mudança como uma conquista social.

Durante o discurso, Lula rebateu as críticas de entidades empresariais e parlamentares contrários à redução da jornada. Essas entidades afirmam que a obrigatoriedade de um segundo dia de descanso elevará o custo da hora trabalhada e aumentará as despesas dos empregadores. O presidente argumentou que avanços tecnológicos e mudanças no comércio permitiriam absorver a medida e rejeitou a ideia de atribuir aos trabalhadores a responsabilidade por eventuais dificuldades econômicas.

A promulgação ocorreu após uma articulação entre Lula e os presidentes das duas Casas. Alcolumbre apoiou um calendário especial que permitiu a votação em dois turnos na quarta-feira (14), apesar da pressão para que a análise fosse adiada. Na cerimônia, ele afirmou que o Congresso escolheu enfrentar um tema considerado complexo e classificou a mudança como a transformação de uma reivindicação histórica em direito constitucional.

Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) também atuou pela aprovação. Segundo o material da sessão, a negociação política incluiu um acordo para elevar o teto de faturamento do microempreendedor individual e permitir que cada MEI tenha até dois empregados formais. O projeto de lei complementar relacionado ao tema foi aprovado pelo Congresso na semana anterior, e Motta pediu a Lula que a proposta fosse sancionada até a semana seguinte.

O debate sobre a escala 6×1 ganhou espaço na agenda política por tratar diretamente do tempo disponível para descanso, convivência familiar e atividades fora do trabalho. A emenda, porém, também provoca resistência de setores empresariais, que calculam aumento de custos com a reorganização das escalas e a necessidade de manter as atividades em funcionamento com mais períodos de folga. O texto aprovado estabelece a transição para que empresas e trabalhadores se adaptem às novas exigências.

Na mesma sessão, Alcolumbre promulgou a emenda constitucional que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, além de efetivar vínculos temporários. O texto prevê paridade e integralidade, garantindo, segundo a reportagem, correspondência entre os vencimentos de aposentados e trabalhadores da ativa e reajustes anuais equivalentes. O governo tentou retirar esses dispositivos, mas não houve acordo para alterar a proposta.

A equipe econômica estima que a emenda dos agentes de saúde gere custo de R$ 30 bilhões em dez anos. Relatores da proposta consideram o cálculo exagerado, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou após a aprovação no Senado, em julho, que o governo poderia recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso o Congresso não indicasse uma fonte de receita para compensar as despesas adicionais. Na cerimônia, Lula defendeu a aposentadoria especial como uma medida justa para uma categoria que atua no combate a doenças, na vacinação e no acompanhamento de famílias.

A nova jornada e os dois dias de descanso semanal começarão a produzir efeitos no prazo previsto pela emenda, enquanto a redução final para 40 horas dependerá da conclusão da segunda etapa, 12 meses depois. A implementação ocorre em meio à disputa política em torno da reeleição de Lula e à tentativa do Congresso de apresentar a medida como uma resposta a uma reivindicação histórica dos trabalhadores.

Fontes da reportagem

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