Republicanos anuncia apoio a Flávio Bolsonaro com exceções em estados do Nordeste
Decisão foi comunicada em Brasília pelo presidente do partido, Marcos Pereira, e prevê alinhamento nacional no segundo turno, com autonomia para diretórios da Paraíba e de Pernambuco. A articulação também envolve disputas pelas presidências da Câmara e do Senado em 2027.

O Republicanos anunciou nesta quarta-feira (7), em Brasília, apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. A decisão foi apresentada pelo presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, em evento que contou com a presença do candidato e de lideranças políticas alinhadas ao partido.
A orientação nacional terá exceções em diretórios estaduais que apoiam Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre eles os da Paraíba e de Pernambuco. Segundo Marcos Pereira, a decisão não representa uma adesão automática em todos os estados. A maioria da bancada do Republicanos, porém, apoiou a escolha por Flávio.
O anúncio ocorre depois de manifestações favoráveis ao candidato do PL feitas pela federação União-Progressistas, formada por União Brasil e PP, e pelo candidato derrotado do PSD, Ronaldo Caiado. O apoio do Republicanos amplia o grupo de partidos que passou a se posicionar ao lado de Flávio na disputa pelo Palácio do Planalto.
Participaram do ato o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o governador eleito de Minas Gerais, senador Cleitinho Azevedo, e a senadora Damares Alves. Tarcísio afirmou que o Republicanos terá papel na eventual administração de Flávio e declarou que a legenda pretende contribuir para a governabilidade caso o candidato seja eleito.
A formalização do apoio está ligada a negociações partidárias para a composição do futuro governo e para a eleição das Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado, prevista para o início de fevereiro. Conforme a articulação relatada, PL, União, PP e Republicanos discutem a divisão de espaços em um eventual ministério de Flávio e a formação de alianças no Congresso.
A partir do próximo ano, o PL terá 28 senadores e 121 deputados, segundo a composição mencionada na articulação. Mesmo com a maior bancada, o partido não teria votos suficientes para eleger sozinho os presidentes das duas Casas. Dirigentes partidários trabalham com um acordo pelo qual o PL ajudaria a reconduzir Hugo Motta ao comando da Câmara e receberia apoio para eleger Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, à Presidência do Senado, em substituição a Davi Alcolumbre, do União Brasil.
A negociação enfrenta resistência entre parlamentares do PL. Parte da bancada considera apoiar nomes do próprio partido para a Câmara, como o vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes, e o líder Sóstenes Cavalcante. Outra possibilidade citada é Marcos Pereira, que já disputou a Presidência da Câmara e desistiu da candidatura para apoiar Hugo Motta. O presidente do Republicanos também é apontado como possível integrante de um eventual ministério de Flávio.
A resistência a Motta está relacionada, entre outros fatores, ao apoio declarado por ele à reeleição de Lula. Setores do PL defendem que o comando da Câmara acompanhe ideologicamente um eventual governo Flávio. Caso não avance uma candidatura do partido, lideranças avaliam apoiar nomes de direita de União Brasil ou do PP. A decisão final dependerá das negociações entre as bancadas e as direções partidárias após o segundo turno.