Cinco municípios de Sergipe fecham acordo para adotar dentaduras digitais no SUS
Acordos preveem início do atendimento em 2027, com possibilidade de expansão para até 20 cidades; Itabaianinha está entre os municípios citados como interessados na tecnologia.

Cinco municípios de Sergipe fecharam acordo para oferecer próteses dentárias produzidas com tecnologia digital pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2027. A iniciativa deve levar a iDenture, empresa especializada no serviço, a instalar uma unidade no estado e ampliar gradualmente a operação para até 20 cidades.
Itabaianinha foi citada entre os municípios interessados. As demais prefeituras não foram identificadas no anúncio. A contratação depende de processo licitatório e pode incluir, conforme a necessidade de cada cidade, dentista, scanner intraoral, notebook e outros equipamentos e serviços necessários ao atendimento.
O interesse pela tecnologia foi relatado pelo fundador e presidente da iDenture, Anderson Pires Macorim, durante o X Congresso de Secretarias Municipais de Saúde de Sergipe, realizado entre 3 e 5 de setembro, em Aracaju. Segundo ele, mais de dez prefeituras demonstraram interesse durante o evento.
A empresa afirma que pretende instalar uma unidade em Sergipe para atender municípios do sertão e do litoral. A expansão envolve uma cadeia de serviços e equipamentos ligados à odontologia digital, como scanners intraorais, softwares, impressão 3D, resinas e estrutura laboratorial.
De acordo com Macorim, o fluxo digital pode reduzir o tempo de produção das próteses. Enquanto o processo convencional pode exigir de seis a sete consultas e cerca de 90 dias, a produção digital demanda, em média, três a quatro consultas e aproximadamente 45 dias, segundo o empresário.
A proposta apresentada aos gestores é utilizar a tecnologia para ampliar a capacidade de atendimento sem necessariamente substituir os laboratórios convencionais. O sistema também permite rastrear etapas da fabricação, desde o profissional responsável pelo projeto até o dentista que instala a prótese e o lote da resina utilizada.
A expansão ocorre em um momento de ampliação da odontologia digital no SUS. Em maio, o Ministério da Saúde incluiu novos procedimentos odontológicos realizados por fluxo digital na tabela do sistema e estimou R$ 216,13 milhões anuais para financiá-los. A regulamentação também permite que Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias adotem scanners intraorais, impressoras 3D e softwares, com possibilidade de acréscimo de 30% no custeio mensal para os laboratórios que utilizarem o fluxo digital.
Segundo o Ministério da Saúde, o SUS disponibiliza atualmente 1,2 milhão de próteses dentárias por ano. O empresário afirma que cerca de 20 milhões de brasileiros precisam desse tipo de tratamento e estão cadastrados no sistema; o dado é atribuído a ele, enquanto o ministério reconhece a elevada necessidade de próteses por meio da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023). Para o paciente, a prótese não tem custo, e o atendimento deve ser buscado na rede pública de saúde bucal do município, mediante avaliação e indicação do tratamento.